Carta ao Futuro

Friday, February 24, 2006

Mas porquê?

Porque é que eu ainda acredito que pode ser diferente?
Porque é que eu perco o meu tempo, e me irrito se não depende apenas de mim?
Porque é que eu acho que até pode ser diferente?
Mas cada vez que tento, sempre que me esforço, este é em vão.E mesmo sabendo eu continuo, depois de me irritar, elevar a voz, por vezes até gritar, volto a tentar.
Mais uma oportunidade surge e mais uma vez procuro dar o melhor de mim.Mas será que tenho essa obrigação para além da consciencia moral me assolar mesmo sabendo que sou apenas eu que me esforço?
E digo que acabou, que esta foi a ultima vez. Mas não será.
Porque a proxima oportunidade que surgir, de certeza eu serei a primeira, a mais uma vez procurar uma ponte. E de certeza, serei a única a irritar-me, a elevar a voz, quem sabe até gritar, enquanto tu no teu silêncio, continuarás a ignorar-me.

Monday, February 20, 2006

Mute

Hoje calo-me e recordo para mim os momentos que partilhamos. Os segredos que ainda hoje guardo. Sinto a tua falta e procuro um sentido, como tenho feito sempre e até aqui. Lutei e criei as minhas próprias guerras contra todos os que de repente surgiram.
Torno-me muda e quebro as leis que fiz para estes dias, não por vontade mas por obrigação. E enquanto cumpro o meu dever o pensamento quer fugir para o passado.
E quando me é permitido eu volto no tempo e recordo.

Tuesday, February 14, 2006

Silêncio

E libertei-me. Ou não. Mas pelo menos dei um passo.
E na revolta que consumia cada recanto dentro de mim, da raiva e fúria que transbordava por cada poro meu, quase corri até ti e fiz a pergunta que me persegue há anos, que me corrói, que procura uma explicação lógica e racional.
E não interessa o que eu penso, e as minhas suposições, quando o que eu quero e preciso é ouvir o porquê da tua boca.
E após mais uma crise, aos gritos, perguntei-te o que sempre pensei nunca conseguir dizer.
Fiquei a olhar para ti, num turbilhão de pensamentos, de tudo o que me poderias dizer, mas a única resposta que obtive foi… o teu silêncio.

Monday, February 13, 2006

A revelação

Tudo parecia normal. Uma combinação típica, embora no fundo todos soubessemos que seria uma noite de revelações. Ou de confirmações.
E assim foi.
Fico contente por ver o ponto da situação. A relação que se criou depois de tempos dúbios, de incertezas que mais pareciam verdades.Das desistências e segredos, das mudanças em contra-relógio antes do amanhecer enquanto tu andavas escondido, perdido. Do querer voltar e não conseguir, e voltar a tentar, e a desistir.
O esforço de anos em que havia um porto de abrigo foi mais determinante quando deixas-te de o ter. E daí renasceste.
E lutas-te por tudo o que era teu, e voltas-te a acreditar e conseguis-te. E recuperas-te ainda mais do que tinhas perdido.
E agora, que olho para trás e vejo todo o esforço empenhado, todos os sacrifícios sei que valeu a pena. E acima de tudo ganhei consciência. Continuas a ser um herói para mim e sempre o serás.

Sunday, February 12, 2006

A gordura

A gordura devia ser eliminada tal qual uma borbulha.
Assim que indesejada, era só ir lá com os dedinhos e pop... já tá.

Thursday, February 09, 2006

A princesa do bairro

Depois de uma adolescência recheada de alcunhas num rol que até eu já perdi a conta eis que surge um novo, desta vez, gentilmente cedido por uma senhora do bairro onde moro, que parece que só agora me descobriu, embora nos vejamos quase todos os dias. De há duas semanas para cá, quando me vê, chama-me " a princesa do bairro". A primeira vez que ouvi, fiquei chocada, mas sorri. Pensei que lhe haveria de passar. Mas a verdade é que não. E pior. Já se espalhou. Ainda ontem, outra senhora me chamou de "princesa".Eu, que nunca em miuda, quis ser princesa, nem nunca achei grande piada sou agora vítima desse pequeno epíteto. Que coisa mais sem graça. Que ser mais dependente, sempre com alguém atrás. E eu prezo a minha independência.
As princesas têm principes lindos de morrer.
Eu tenho enucos.
As princesas não fazem nada, têm uma legião de gajas que andam atrás dela a atirar pétalas de flores para a menina passar.
Eu se quiser comer tenho de cozinhar, se quiser a roupa sem vincos tenho de a passar, e tenho de ter cuidado redobrado quando ando na rua para não pisar dejectos de animais.
As princesas têm tudo o que querem, quando querem.
Eu também tenho... quando sonho.

Não percebo muito bem, onde está essa relação da minha pessoa com uma princesa. Se fosse com a gata borralheira, ainda vá que não vá, pelo menos havia semelhanças mas assim... E o pior é se a moda pegar, e eu me vir obrigada a tomar conta deste pequeno reino que não tem mãos por onde se lhe pegue.

Tuesday, February 07, 2006

Song of the day!!

Porque há dias em que é preciso dar o salto...

Baby why you're so sad
What's the thing you're running from
Caught in the red lights
As if money is the cure
Is this your only way to survive
Are you trying to get even with the past
What happened to the dreams you had
I think it's time for you to
Show them you are able
To leave without saying one word
I know it won't be easy, baby
But I will run with you'cause every night has a day
Every wish a prayer
Don't loose your faith
And I'll be holding your hand'cause it's never too late
There's someone who needs you

So break down that wall, baby
There's a new world out there waiting
Just tear down that wall, girl
Run away and don't look back
Break down that wall
Break down that wall
There's someone who needs you

Lady it's your turn now
Just walk the streets with your head up high
Oh baby doesn't that feel right
So put a big smile on your face
You walk on straight
Yeah tell the motherfuckers they were wrong
Isn't this your sweetest revenge
Feels good, hey I told you so'cause every night has a day
Every wish has a prayer
Don't loose your faith
And I'll be holding your hand'cause it's never too late
There's someone who needs you

So break down that wall, baby
There's a new world out there waiting
Just tear down that wall, girl
Run away and don't look back
Break down that wall
Break down that wall
So break down that wall, baby
There's a new world out there
Tear down that wall, girl
Run away run away run away
Break down that wall
Break down that wall

Anouk

Thursday, February 02, 2006

Apatia

Gostava de sair deste estado de apatia e conseguir pensar.
Este estado de latargia impede-me até de perceber o porquê.
Não tenho motivos para estar assim, ou se estiver estão bem recalcados porque não os consigo perceber.
Ninguém me pode ajudar, nem mesmo eu própria.
E tento.
Tento distrair-me, abstrair-me, concentrar-me noutras coisas, mas é mais forte do que eu.
Não o consigo definir embora já me tenham passado algumas hipóteses pela cabeça.
Se o tempo cura tudo pode ser que em breve consiga chegar a alguma conclusão.