Carta ao Futuro

Saturday, September 30, 2006

Declaração de um desconhecido

O telemóvel toca. Atendo. Do outro lado um amigo a convidar-me para uma festa em casa dele. Aceito. Chego ao destino, onde encontro imensa gente desconhecida. Refugio-me na cozinha com o meu copo de vinho e os três únicos amigos que conhecia. Com o “aquecimento” que a festa já me tinha proporcionado, ás tantas já conhecia mais de metade dos convidados. O tempo passa. As pessoas começam a ir embora. Eu, que deambulava pela casa chego à porta da rua onde se efectuavam algumas despedidas entre os convidados e o anfitrião. De repente, um deles vê-me passar, dirige-se a mim e diz-me: Eu vou-me embora, mas vou procurar-te. E quando te encontrar… casamo-nos.

Friday, September 29, 2006

Encontraste-me

O dia: uma qualquer normal sexta-feira à noite. Destino: Bairro Alto. Saio de casa directa ao comboio que me vai levar até ao meu maravilhoso destino. No auge da noite, sozinha pelas ruas recheadas de pessoas, alheia ao que se passa ao meu redor, presa num dilema enquanto pondero na melhor forma de me ir embora, no exacto momento em que me desvio de alguém que estava parado no meu caminho, dei uns passos para o lado, tirei os olhos do chão e vi-te parado a sorrir para mim.

Tu estavas ali, como que à minha espera, como se soubesses que eu iria aparecer dali. Eu que já tinha procurado por ti, não nessa noite, mas nos outros dias. Mas nunca te encontrei. E quando a noite estava prestes a terminar para mim, vi que estava apenas no primeiro acto.

Tu tinhas-me encontrado.

O regresso

Saio do comboio no meu destino, ansiosa por chegar a casa após uns dias de viagem. Depois de esperar quase dez minutos por um táxi que teimava em não aparecer, lá sou conduzida ao meu lar doce lar.
Arrancamos da estação. No entrocamento em frente, um carro aproxima-se para entrar na mesma rua que o taxi. O taxista apita, acelera, e mete-se à frente. O condutor de trás apita. O taxista mete o braço para fora da janela e faz um gesto obsceno. Mete o braço para dentro e diz:

- Há gente mesmo mal instruída.