Carta ao Futuro

Tuesday, October 31, 2006

Música do Dia

Dá-me lume

Chegaste com três vinténs
e o ar de quem não tem
muito mais a perder
o vinho não era bom
a banda não tinha tom
mas tu fizeste a noite apetecer
mandaste a minha solidão embora
iluminaste o pavilhão da aurora
com o teu passo inseguro
e o paraíso no teu olhar

Eu fiquei louco por ti
logo rejuvenesci
não podia falhar
dispondo a meu favor
da eloquência do amor
ali mesmo à mão de semear
mostrei-te a origem do bem e o reverso
mostrei-te que o que conta no universo
é esse passo inseguro
e o paraiso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
deixa o teu fogo envolver-me
até a musica acabar
dá-me lume, não deixes o frio entrar
faz os teus braços fechar-me as asas
há tanto tempo a acenar

Eu tinha o espirito aberto
às vezes andei perto
da essência do amor
porém no meio dos colchões
no meio dos trambolhões
a situação era cada vez pior
tu despertaste em mim um ser mais leve
e eu sei que essencialmente isso se deve
a esse passo inseguro
e ao paraiso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
deixa o teu fogo envolver-me
até a musica acabar
dá-me lume, não deixes o frio entrar
faz os teus braços fechar-me as asas
há tanto tempo a acenar

Se eu fosse compositor
compunha em teu louvor
um hino triunfal
se eu fosse critico de arte
havia de declarar-te
obra-prima à escala mundial
mas eu não passo dum homem vulgar
que tem a sorte de saborear
esse teu passo inseguro
e o paraiso no teu olhar.

by Jorge Palma

El Sebastião do século XXI

Pouco mais de duas semanas passaram desde a última vez que nos tínhamos visto. Eu, confesso, já me tinha habituado à ideia, mais que conformada, de tão cedo não o voltar a ver.
Até ontem.

Estava eu a caminho de casa depois de um relaxante fim de tarde, após um infindável dia de trabalho, na companhia da minha melhor amiga, a partilhar a “dor da ressaca” do fim-de-semana que havia terminado, quando, surpresa das surpresas, o telemóvel toca.
Eras tu.

E querias saber como eu estava, se não queria ir beber qualquer coisa. Inevitavelmente, dei por mim, sentada no comboio sozinha com um sorriso de orelha a orelha. E combinamos. Entretanto, informaste-me que não poderias ficar tanto tempo assim, mas que passavas aqui na mesma, que iríamos até ao nosso spot. E demoraste os “tais setes minutos”. O tempo voou e disseste que tinhas de ir. Do meio do nada, disseste que se desse, mais tarde, ainda passavas por aí. E eu disse que sim.

Pouco mais de hora e meia depois perguntaste-me onde eu estava. Combinamos ir ter com um pessoal. E fiz-me à estrada pelo meio da humidade que caía. Dando passos para o incerto, sem conseguir ver muito mais além. E percorri o caminho todo assim até ao destino. Ainda não tinhas chegado quando comecei a falar ao pessoal. Perguntava-me por ti, enquanto os olhos percorriam todas as caras à minha volta a ver se te via. Viro-me para trás, e vejo-te a cortar a neblina, a sorrir, com duas garrafas nas mãos.

E no regresso a casa paramos no sítio de sempre. E estagnamos a olhar para uns gatos, e sussurrávamos em surdina lado-a-lado inclinados para a frente a contemplar a mãe e a sua cria.

E voltaste a sussurrar, vamos andando. E lentamente levantamo-nos para não assustar os gatos. Despediste-te de mim, não sem antes de determinado seguires os teus sete minutos, olhares mais uma vez para trás e sorrir para mim.

Monday, October 30, 2006

Início de semana

Depois de um fim-de-semana em que testei o meu fígado até ao máximo, entro no início da semana com uma sensação de presente-ausente. Sinto as coisas a movimentarem-se à minha volta vertiginosamente enquanto eu, ando em slow motion.
Até das piadas mal consigo rir. Apenas esboçar um sorriso.
Estou em piloto-automático embora com bastantes falhas.

Ainda por cima, amanhã é véspera de feriado.

Internetisses

ela - "Agora converso no msn com câmera ligada, assim já não parto as unhas"

eu ( ainda a rir) -"Mas tu partes as unhas a escrever no teclado?"

ela - "Então, já não fico com calos na ponta dos dedos"

eu - "Mas de que é feito o teu teclado, pedra polmes?"

ela - " Não amiga... é só para dizer que tenho câmera."

Caixa de Pandora

Algures neste fim-de-semana acordei com dúvidas pseudo existenciais. Com questões sobre o comportamento humano e da sua inter-relação com o próximo. Com perguntas ás quais eu esqueci com o tempo. Que meti no esquecido alçapão do baú e fiz questão de perder dentro de mim. Mas ontem encontrei-o e hoje quis abri-lo. Maldita hora em que o fiz.
Se havia resoluções que outrora havia feito, essas mesmas foram-se desfazendo com o tempo. Quando dei por mim, estava de novo no ponto de partida.
Mais fragilizada. Mais vulnerável. O sentimento de solidão volta a instalar-se. E com ele, picardias doentias entre o eu e o mim mesma, que me consomem, que me devastam.
Sei que outrora podia ter desfeito tudo mas em vez disso calei-me. E não me arrependo. Acarreto eu essas marcas. E vejo que nada mudou. Quando era suposto ter mudado.

Súbitas mudanças de vida exigem alguma consistência, que tem de ser plantada, regada dia-a-dia. Mas foi o oposto. Sem presença, nem mesmo na ausência. Apenas a distância.
Mentalidades que foram por ti moldadas, domadas e até mesmo subornadas, mas há sempre uma excepção. Que te enfrenta. Que te diz não.

Pergunto-me porque insisto. Por que é que acho que depois das águas baixarem do último conflito, mesmo que dure meses, há-de ser diferente. Por que é que repiso incessantemente o Aquiles, determinada a acreditar que se seguirá algo distinto.
Talvez seja por isso a incapacidade de perdoar.
Talvez por viver continuamente a mesma luta. Onde cedo quando devo estar de sentinela permitindo-me que é desta que vens com um acordo de paz, quando afinal escondes a tua mala-bomba num qualquer canto da casa, antes de te refundires.
Onde eu expludo mais uma vez, abandonada, desamparada, com disparos de palavras, onde como sempre, são mais uma vez por ti desprezadas.

E de repente, por um qualquer motivo alheio, por mim desconhecido, procuras-me e dizes que precisas de um favor meu. E eu, penso logo que não. Mas o querer ver se afinal não estarei eu a impedir o desenvolvimento de um acordo de paz faz-me voltar com a palavra atrás. E anuo. Meio contrariada, meio desejosa de ver o que vem a seguir à próxima cartada. Mas afinal, a jogada é a mesma. Nada muda. E de novo volto à estaca zero. Onde tudo recomeça mais uma vez. Um círculo vicioso, que agora pretendo quebrar.

Mentalizo-me, mais uma vez. Quando só quero saber o porquê?

Too much celebrations!!!

Não que sejam de mais, porque nunca o são. Mas este fim-de-semana foi imparável… alcoolicamente falando, claro está.
Começou sexta-feira e parou há pouco. Mal tive tempo para sentir a ressaca da noite anterior, tal a quantidade de celebridade(s). Como se fosse preciso motivo para tal…
Mas não me estou a queixar, muito pelo contrário. Gostava que fins-de-semana iguais a este se repetissem mais vezes.
E com certeza, este foi apenas o primeiro de muitos semelhantes.

Haja fígado!...ou iscas!!!

Thursday, October 26, 2006

Sorte ou azar?

Nos últimos três dias pisei dejectos caninos por duas. Sei que a teoria da nhanha falhou. Será que era um prenúncio do que estava para vir? Será que a sorte está a mudar, ou é mesmo o azar a perseguir-me?
Só me resta esperar para ver.

Já agora, alguém sabe qual o tempo que demora até começar a fazer efeito a sorte ou o azar depois de ter metido o pé literalmente na merda??

Tuesday, October 24, 2006

Heróis

ele: "Por acaso, o Salazar é um dos meus heróis"

eu: "Então porquê?"

ele: "Porque não deixou o Eusébio sair do Benfica"

Podia ser diferente..

E não deste modo inconsciente. Tal como te disse. Tal como te mostrei. A meu ver, acho que ainda não ultrapassei.
Dizes que não quero a tua felicidade, quando quero o melhor para ti. E mesmo assim sublinho o mesmo pensamento que me tem acompanhado nestes meses. Estou desiludida. Pelo modo como tudo se desenrolou. Pelos caminhos sinuosos que a vida me abriu pela frente. Pelos caminhos que deambulo. Por estas paredes que me assombram o passado que aqui estão incrustados.
A distância abismal que se criou entre nós. Pelo fio de seda que agora nos une, em que um qualquer mínimo motivo é mais que suficiente para se esticar um pouco mais. Parece que a qualquer momento vai rebentar.
As atitudes que têm sido tomadas, de cabeça quente, cabeça fria, racional ou enraivecida.
O desalento, o desânimo, a frustração, a separação. Pode ser culpa minha. Mas não consigo aceitar. Ele mandou-te isto. E manda cumprimentos. Disseste-me tu, depois de me iludires. Fiquei sem resposta. Virei-te as costas. É demais para mim.
Toda a forma como lidaste com tudo. E o modo em que eu enfrento mais um dia. Em que passo a essa porta, que desfaz um pouco mais de mim.
E fico possuída por esta força destrutível que me consome e se apodera de mim, com vontade de desfazer cada centímetro da falta de princípios que tu tens seguido.

Mas hoje fiz-te um convite. Uma prenda de aniversário. Ficaste contente, “curtis-te bué da ideia”. E embora faltem acertos, eu cruzo os dedos para que dê resultado. Para que consigas esses dias, para que possamos reconstruir o presente que nos tem mantido ausente.

Oh lá lá!!

Três semanas depois, que mais pareceram uma eternidade a passar, o meu querido café do bairro abriu as suas portas depois das suas merecidas férias. Acho que eu, é que não merecia tanto tempo à espera.
Ando viciada nos croissants com doce de ovos que eles lá têm, e assim, hoje mal me levantei e abri os estores, vi a bela da esplanada montada. E logo um sorriso nasceu na minha cara.
Arranjei-me o mais rápido que pude e lá fui eu, direitinha ao meu cantinho, pronta para degustar este pequeno prazer da vida.
Assim que lá cheguei, os meus olhos até saltaram da órbita quando viram o tabuleiro cheio deste pequeno miminho. Mal me viu, a senhora do café exclamou que eu estava mais magra. O que eu pensei, é normal, afinal três semanas são três semanas, não sem antes de lhe dizer, “ a sério? Acha mesmo? Então olhe, quero o maior croissant de doce de ovos que aí tiver.”

Monday, October 23, 2006

Pronto, toma lá

Depois de acertar um texto que tive semanas a escrever para o chefe, ele surpreende-me com as mesmas folhas com mais acertos que ele voltou a fazer. Ele diz-me que não é bem assim, que tenho de explicar, quando a semana passada disse que não era preciso alongar-me. Obriga-me a descrever quase por extenso tudo e mais alguma coisa, como se tivesse a escrever um texto para uma criança de jardim-escola, e não para profissionais que à partida têm alguma cabecinha e não precisam da papinha toda feita.
Mas o que me irrita mesmo mais, é quando ele sugere as ideias, escreve-as por cima, e na revisão seguinte, diz que aquilo não é assim. E hoje que deveria ripostar, pedir-lhe para não se armar em senil fico calada porque sinceramente, não estou com a mínima paciência nem vontade de andar a defender as minhas ideias. É assim que tu queres não é? Então pronto, toma lá.

Segunda-feira!!

Mais uma semana a começar. Após o surpreendente fim-de-semana que tive, e de toda a diversão a que me fui capaz de proporcionar, estou pronta para enfrentar o início da labora. Mas… e isto porque há sempre um mas, tenho o corpo a ressentir-se de cansaço. Os músculos falam-me quando ando, o corpo está mole e arrasta-se deambulando.
Precisava de um fim-de-semana urgentemente para dar ao meu corpo o descanso que ele tanto merece.
Estou animada, bem disposta mas a concentração está em baixo. E para não variar, já estou mais que atrasada.

Off the record

Apenas para partilhar uma ideia, uma vez que o tema não é dos meus fortes e, embora ache piada a jogos de estratégia, acho que este é areia demais para o meu camiãozinho.
Diz-se agora por aí que a electricidade vai aumentar. Isto porque pelo que eu ouvi dizer, a indústria utilizou excessivamente a electricidade. Da mesma forma que se diz que vieram dizer que a “crise já tinha acabado.”
A minha questão é a seguinte: Nos tempos de crise, enchiam o pulmão a dizer que para sair da mesma era preciso um trabalho conjunto da população, que era preciso trabalhar mais, era necessário aumentar a produtividade. Só assim é que iríamos conseguir começar a “respirar”.
Agora, vêm dizer que andaram a abusar com o consumo de energia, e que vai ter de haver uma penalização.

Já partilhei.

"O mundo é um penico"

Subscrevo.

Uma amiga minha diz que o mundo é um penico e de facto, é mesmo.
Então não é que algures pelo Portugal profundo, numa aldeia perdida no meio de nenhures, num restaurante conheci um dos empregados, cujos amigos exploram um bar aqui perto de minha casa. E que conhece bastante bem esta zona onde moro, que até nem é assim tão conhecida.

Que penico este, heim!?

Friday, October 20, 2006

Calma!!!

Enquanto preparo a mala para me por a milhas daqui, controlo ao mesmo tempo uma raiva interior que procura consumir-me por não encontrar o que quero.
E nem o facto de ainda ter a mala para terminar quando deveria sair de casa dentro de uma hora me assusta. Nem a chuva que cai lá fora me incomoda. Pelo contrário.
Mas se há coisa que detesto, que me tira do sério é mexerem nas minhas coisas, mudarem-lhe o sítio sem aviso prévio, só porque sim. E ando feita barata tonta de um lado para o outro, a encontrar as minhas coisas “arrumadas” espalhadas por várias gavetas, arcas e roupeiros. Quando estava tudo juntinho arrumadinho.
Procuro concentrar-me, respiro fundo, e ultrapasso a contagem de um até dez, porque para mim contar até uma dezena nunca chega.
Afinal de contas eu vou pirar-me daqui e descansar de todos os que me rodeiam.

Out of Service

Ah pois é… barnabé!!
O meu fim-de-semana começa mais cedo e longe daqui.
Vou para o Portugal profundo. Explorar, conhecer, travar conhecimentos, embebedar-me, conviver. Enfim. Vou ser eu.

Até jáá!!

Thursday, October 19, 2006

O rapaz que passeia o cão

Conheci-o numa noite em que passeava o meu cão. Já o tinha visto anteriormente por duas vezes, com vários meses de diferença, mas excepto esses momentos pontuais nem me lembrava da tua existência.
Até àquela noite de Verão, em que no meio do nada um cão apareceu a meter-se com o meu, que estranhamente não rosnou, e entrou na brincadeira. Fiquei surpresa quando te vi a rasgar a escuridão enquanto a luz do candeeiro te alumiava o rosto. E meti conversa, por entre a tua timidez e ficamos mais de uma hora a falar. Parecia que já nos conhecíamos há muito, a partilhar histórias a adquirir conhecimentos. Combinamos logo ir à praia e promessas de borga. E todas as noites, nos encontrávamos para passear os cães.
Entretanto partiste. Início de vida académica, fora daqui. Mas estiveste sempre presente.
Surpreendias com mensagens, prometias o regresso.
E hoje voltaste.
Assim que te vi saltei-te para os braços, tinha saudades dos nossos passeios. E fomos comemorar com uma cerveja, ouvir as novidades que nos aconteceram. Deixaste-me à porta de casa, não sem antes teres a confirmação, se eu também iria esta noite passear o meu cão.

Procura-se

Gorro preto com fecho eclair camuflado de um casaco comprido da mesma cor.
A última vez que foi visto foi no Inverno passado, quando foi pedido para ser guardado separadamente em casa de um familiar.
A dita pessoa, afirma que parou a sua manhã para revistar tudo à sua procura, tendo a busca sido infrutífera.
Entrega-se remuneração a quem encontrar o seu rasto.

Wednesday, October 18, 2006

Nunca dá hipótese

Odeio ter razão. Sempre que a tenho é pelo lado negativo. É porque o meu pensamento “negro” estava certo, o meu lado pessimista me tinha alertado, mas eu, sempre afincada ao “look at the bright side”, ou ao “nem tudo aquilo que tu pensas é correcto”, olhava sempre além. Conseguia iludir-me da verdade, daquilo que era a realidade, ou acreditar que podia sempre ser de outra forma.
E contigo não foi diferente. Descobria mais uma graça. Um gesto. Um tique. Um je ne sais quoi. Mas no fundo sou só eu. Eterna sonhadora, há quem lhe chame romântica, a entregar-me a esses teus minutos dedicados num qualquer banco de jardim a fumar e a rir. Uma continuação da noite, prestes a acabar, apenas uma última gargalhada antes de dormir. Um sorriso perdido por mim acolhido, num mundo só meu, pois aqui é permitido.

Tuesday, October 17, 2006

Busted!!

Teoria da nhanha: FAILED!!

Monday, October 16, 2006

Adiamentos

Engraçado como por vezes para darmos início a certas iniciativas remetemo-las sempre para a partir de segunda-feira, a partir do próximo mês, a partir do primeiro dia do ano.
Como se o adiamento do dia fosse o início de algo novo. E até é. O início de uma semana, mês ou ano, onde supostamente, por ser o início de algo é sinal que o pesadelo da semana, mês ou ano acabou e que, sejamos positivos, estamos em transição, o próximo vai ser melhor. Ou que continuando com a maré da semana anterior, esta vai correr melhor ainda. Quando na verdade tudo vai começar outra vez. A rotina mantém-se. O nosso humor é que está iludido e nós deixamo-nos ir.
“A partir da próxima semana corto com os doces”; “deixo de fumar no final do mês”, porque não agora? A partir deste momento? Por que precisamos de adiar, de delimitar uma data para darmos início ao quer que seja? Para nos convencermos, mentalizarmo-nos? Mas se há partida é algo a que estamos dispostas e determinadas, porque havemos de prolongar?

O porquê eu não sei. Mas sei que vou adiar por mais uns dias a vontade de te procurar.

Conversas de café

ele – “No outro dia fui sair à noite com uns amigos, fomos a um bar, e estava um grupinho de umas sete raparigas numa mesa a controlar. E eu olhava, elas olhavam. Aquelas cenas normais, olhas és olhado mas fica-se por aí.”

eu – “Sim, ‘tou a perceber. E depois?”

ele – “Entretanto fomos pagar. Os gajos já tinham pago e saído faltava eu. Uma delas foi ter comigo ao balcão e perguntou-me se eu tinha um minuto. Disse que sim e acompanhei-a. Precisavas de ter visto. A empurrar-me para as casas de banho. Do meio de nada, aparecem mais duas, agarram-me contra a parede e dizem: “O que a gente quer mesmo é provar-te”. O resto, não preciso de te contar.”

Chefes

Tarde de trabalho. O chefe sai da casa de banho e exclama:

chefe - Porra, andei o dia todo assim e ninguém me disse nada??

eu - Assim como??

chefe - Olha para o pullover

eu - O que é que tem?

chefe - Está ao contrário.

eu - Não. Está direito.

chefe - Está?? – olhando atentamente – Ah pois está. Deve ter sido ao espelho que o vi ao contrário.

Sorte Matinal

- Saltei da cama, o cão pelos vistos tinha regurgitado qualquer coisa aqui no quarto... Assim que saltei pus o pé mesmo em cima da nhanha. Depois deu me que pensar: se pisar merda dá sorte pisar esta nhanha descalça deve ser sorte a dobrar certo? Agora é só aguardar para ver que surpresas este dia me aguarda.

- Sim... se quiseres ver por esse ponto de vista...

- Que interpretas tu disto?

- Que é melhor ires lavar o pé

- LOL Já está, claro. E já vai ser lavado outra vez quando for para o banho.

Ou será que se o lavar outra vez no banho a "sorte do dia" vai com a água? Sempre posso por um saco de plástico no pé.

- Bom...tu é quem sabes. Mas pelo sim pelo não, põe o plástico e evita descalçar-te ao pé de quem quer que seja.

Sunday, October 15, 2006

Novos Tempos

ela - "Nem sabes. Tive a ver as Igrejas para o meu casamento. Corri tudo aqui à volta. Nem a Igreja em que sempre quis casar está disponível. A única que encontrei disponível fica na Abóboda."

eu - "Mas por que é que não conseguiste nenhuma das outras Igrejas??"

ela - "Pah, diz que os padres em Agosto estão todos... de férias."

Devaneios ébrios

Não consigo evitar. Volto no tempo. Recordo. Revivo os momentos. Partilho mas é como se estivesse lá outra vez. E volto a sentir, ou sinto como se fosse a primeira vez. Relembro envolta nesta negritude em que tudo se transformou. Os díspares rumos que tudo seguiu. Relembro vários momentos, velhos tempos de alegria e de festa. Dos cheiros, das cantorias, das piadas, bebedeiras. Conversas, nada sérias, mas com bastante cabeça. Dos memorandos que estas paredes gritam, cada vez que passo por elas. O silêncio que me ensurdece. A cabeça gira. Procura algo. Um sentido. O que eu quero, já está perdido. O que eu acredito. Já não existe. O que era bom, já não persiste. Não aqui. Não agora. Nem neste canto. Nem no que me rodeia. Afasto-me. Isolo-me. Procuro o que acredito. Não existe. Não para mim. E onde eu ia buscar a minha crença, já não existe a presença. Apenas a cinza. Os restos das minhas memórias. As sobras de quem recorda. De quem vagueia por esta casa, e absorve cada ressaca do que foi o passado. Da primeira e segunda vez. Alturas distintas. Mas com sentido. Deram a volta. Ganharam ritmo. Mas acabou. Nada mais é permitido. Um trago de vinho. Um suspiro. Sem desabafo. E reprimo. Para mim cada segundo. Cada minuto. Hora distinta. Escondida. Iludida em cada mentira que procuro obter. Eu sei que não te vou ter. Mas não és a razão da minha preocupação. A bezana é grande, mas ele não é a razão. Vou-me deitar. Dormir. Iludir. Sonhar que este mundo não é só desilusão. Que há algo verdadeiro para além da mentira iludida. Por que não??

Friday, October 13, 2006

“Se ainda não deu certo, é porque ainda não chegou ao fim”

Já ouvi a mesma explicação, dita de várias formas por pessoas diferentes. Umas mais assertivas que outras, mas no fundo, directa ou indirectamente, mais ou menos subjacente, a essência está lá. Há quem diga que esteja em negação, com ilustrações musicais a acompanhar, há quem diga que esteja a jogar pelo seguro, para me deixar ir. Mas para me manter assim.
A minha explicação? É que há portas que ainda não estão prontas para serem abertas, embora volta não volta sopre uma brisa por baixo da porta. Dou comigo num estado interior de pita adolescente, mas sempre com postura low-profile. Encontro-me a rir da pedrinha do passeio que ressaltou noutra mais em frente, e a caminhar num carreirinho de um qualquer prado verdejante, quando na realidade estou a atravessar a marginal a correr aproveitando os sinais terem passado para vermelho e não vir ninguém do lado oposto.
Já ouvi várias justificações. Dão que pensar, que ponderar. Faz-me meditar para um universo de pontos de interrogações em luzes néon de confrontos entre o passado e o presente. Faz-me acordar para a vida, ganhar consciências, enfrentar medos, sair desta redoma onde me tranco sempre que a vida me vira as costas. Há assuntos por resolver, outros que não têm solução, outros que precisam mais de respeito do que aceitação.
Mas agora nada disso interessa. Aproveito cada momento, entrego-me aos pensamentos, recordo certos momentos, permito-me divagar. Mas estou atenta à voz interior que me acalma a ânsia. E sei que muito provavelmente ficará tudo por aqui, mas estou mais que contente, porque sinto que despertei. E não será apenas uma fase passageira. Farei por isso.
Já há muito que não me sentia assim. E sabe bem. Gosto. Mas sempre com os pés na terra, atenta ao que me rodeia. Sem grandes ilusões, nem grandes expectativas. Porque o que interessa é o agora. E agora eu sinto-me bem.
Feliz.

Thursday, October 12, 2006

A voz

Não sei o que é, provavelmente nem é nada de especial, mas quando falas eu estagno. Fico imóvel. Calada. Embevecida no teu timbre. O tempo passa e eu fico ali sentada a ouvir-te falar. A saborear cada letra das palavras que proferes. Deixo-me ir embalada pelo tom da tua voz como se fosse uma melodia que me faz balançar ao som do que é dito. O vento passa por mim, leva as tuas palavras mas eu não o sinto. Estou imune, absorta neste momento que criamos, onde as tuas palavras voam, presas dentro de mim.

Wednesday, October 11, 2006

Pensamentos trocados mas interligados

Pensava que já tinha passado. Pelo menos que tivesse mais imune, mas não recalcado, porque por mais que o queira remeter para o buraco negro dentro de mim, é-me impossível.
E num momento de euforia interna decidi recordar as músicas que por sinal nos acompanhou de manhã à noite, durante tanto tempo. E por estupidez, ou vontade de querer arranjar uma desculpa plausível, concreta, com pés e cabeça, dou por mim a pensar, a moer e a remoer um passado presente onde o mar se arrastou levando sem licença o sentido de uma palavra que eu já não acreditava. Vou da estupidez ao ridículo num ápice. O que nos dá para pensar quando queremos uma resposta rápida. Mas a verdade é que ainda não estou preparada. Não consigo. Mas não desisto. Mas custa-me partir a casca, custa-me dar o salto em frente. Custa-me perdoar e aceitar aquilo que vai contra aquilo que eu acho que são os princípios mínimos para se poder viver em comunidade.
Assusta-me a realidade e a frieza, a súbita indiferença. Da união à separação sem comunhão de bens no que toca à moral. Um balde de água gelada. Um icebergue mesmo.
Mas mantenho o meu ritmo, que impeço que se torne lento. Ganho novas noções, adquiro mais lições. Fortaleço amizades e construo outras outrora impensáveis.
Entro dentro de mim e volto a redescobrir-me.

Tuesday, October 10, 2006

Diálogos caseiros

Uma voz da cozinha para a sala:

- A manteiga não tem um cheiro estranho? Já hoje de manhã quando fui barrar a torrada estava com um sabor esquisito?

- Tem

- Então porque é que a comemos??

- Porque és parva

Entre sonhos

O dia cinzento agrada-me. É meio melancólico, as pessoas andam por andar, sem aquela vontade e genica. Sentem-se como o tempo. Vão indo. Mas eu gosto de dias assim. Não está muito quente, nem está muito frio. Um pequeno casaco consegue equilibrar a temperatura sem estar demasiado atolada em roupa. Gosto. Os prédios ganham outra cor, a sua, sem o contraste exagerado do sol ou da chuva. Parecem mais nítidos. Já há folhas amarelecidas caídas no chão.
E hoje, contrariamente aos outros dias assim, acordei naquela de me deixar arrastar pelo tempo. De voltar a questionar-me, a procurar razões, motivos. Quem sabe soluções.
Foi então que (e isto levou muitos anos a treinar), a minha parte mais racional se impôs vinda do nada e quando dei por mim, estava a colocar um dos meus álbuns preferidos, que já não ouvia há largos meses. “In between dreams” do Jack Johnson. Todo o álbum tem um groove que é impossível ficar parada. E um sorriso começa a surgir enquanto balanço ao som das músicas que me enchem a casa de sonhos outra vez.

Um pequeno aparte. O álbum todo excepto a sexta música que não suporto desde o primeiro momento em que a ouvi. Abomino. E curiosamente foi a primeira música dele que eu alguma vez ouvi. Até me custa pensar que a música lhe pertence. Mas enfim.. Ninguém é perfeito.

Uma questão de pontos de vista

A Paula a explicar que tinha ido ver um combate de kick boxing de um amigo:

- É complicado estares ali e veres um amigo teu a levar porrada

Ao que prontamente, diz o namorado dela:

- Não é bem porrada… é porrada… mas na desportiva.

Monday, October 09, 2006

É segunda-feira...

… e eu adormeci, depois de uma noite se insónias, ( deve ser castigo por horas antes ter estado a falar desse assunto e me ter gabado que é raro tê-las e que já há muito não sou “assolada” por uma) estou mole, lenta e a arrastar-me. Estou atrasada, com pouco tempo, bastante trabalho mas nem esses pormenores me fazem despertar desta letargia em nada matinal.

Deve ser algum síndrome de segunda-feira… e o dia ainda nem chegou ao adro. Vai ser um loooongo dia!!!

Sunday, October 08, 2006

Domingo Outonal

Já tinha saudades de domingos assim. Com um dia maravilhoso de Outono em que não está demasiado quente nem está frio. Um domingo em que não custa a acordar, em que é um prazer poder levantar-me da cama e aprontar-me para ir beber o café da manhã. Chegar à esplanada e encontrar caras familiares e ficar ali a brincar com as crianças e a trocar uns dedos de conversa sobre um qualquer tema com os adultos. Falar com o velhote do bairro que se estende ao sol e fazer comentários e brincadeiras sobre futebol. Ou sentar-me na mesa ao lado com um amigo conhecido e ficar a debater probabilidades de jogos da sorte (ou azar) entre tragos de vinho.
E voltar para casa e sentar-me, com a janela aberta e sentir o sol que me deixa embevecida, neste domingo outonal.

Só faltou mesmo encontrar folhas secas pelo caminho e poder sentir o seu crepitar debaixo dos meus pés.

Capuccino what??

Algures no Atlântico a bordo de um cruzeiro. Na discoteca do navio, que acabara de fechar, sentada nas escadas com dois copos ainda por despejar, a tentar conversar com uma amiga, com os jovens "ganda malucos" a vaiar o DJ que tinha já encerrado a pista quando ainda faltava dez minutos para a pista fechar.
Nos entretantos, um dos empregados, mete conversa com as duas jovens e ficam ali os três a falar da vida do mar. O empregado, de pele escura fala do seu país e do que a vida a bordo lhe proporciona quando está em casa. Mesmo indo ao seu país uma vez por ano é bastante recompensador, embora exigente, a vida a bordo.
E a conversa flui, ao sabor do mar, com palavras a serem faladas mais alto, e outras a perderem-se pelo meio dos apupos. Chegados ao tema família, ele mete um sorriso, olha para uma das jovens e diz: We could get married, and have a lot of capuccino babies.

Saturday, October 07, 2006

Amigas de fresco

O grupinho da viagem reencontrou-se uma semana depois. E assim que nos vimos, foi abraços e beijos como se nos conhecêssemos desde sempre, quando na verdade somos “amigas de fresco”. Quem olhasse para nós jamais poderia supor que há uma semana atrás éramos meras desconhecidas, cada uma na sua vida, cada qual pelo seu caminho.

E ali estávamos nós, seis gajas sentadas à mesa, a conversa a fluir, a rir, cada uma a partilhar a sua semana, e os planos da próxima.

À gargalhada, num à-vontade geral, entre rolos de sushi e registos fotográficos, perdidas nas histórias que nos juntaram a partir daquele domingo de manhã.

Friday, October 06, 2006

É sexta-feira

E em vez de me estar a despachar para entrar rapidamente de fim-de-semana, estou mais lenta que uma lesma.

Wednesday, October 04, 2006

Linguagem equestre

Durante uma visita turística, com os headphones postos a ouvir uma explicação traduzida para português, sai-se a voz feminina num tom determinante:

“ A minha filha cavalgava que nem uma selvagem.."

Pobre cavalo

Tuesday, October 03, 2006

Coincidências

De há uns dias para cá, tenho vivido uma sucessão de coincidências extremas. E apesar de tudo o que se tem passado, e da distância que agora nos abisma, vejo que “os lesados” se estão a erguer, a levantar a cabeça… a crescer.
E do topo da montanha, é engraçado ver como todos nós fomos afectados, cada um à sua maneira, e mesmo assim, continuamos a manter o mesmo à vontade, a mesma liberdade igual aos tempos em que estávamos todos juntos.
Mesmo com a distância, estamos sempre presentes, cimentados pelo fim que nos juntou.

E sorrio, porque hoje eu sei, que vai tudo ficar bem.

Monday, October 02, 2006

Yupiii está a chover..

.. e a minha roupa que já estava seca está toda encharcada!!

Grupo calminho

Depois de uns dias fora, chego ao escritório com a pen recheada de fotografias. O chefe começa a vê-las e não vendo nenhuma foto mais denunciadora de um estado nada normal afirma:
- Estou a ver que ninguém se embebedou..

- Não chefe – digo eu – foi um grupo calminho!!!


Ufa.. Ainda bem que me lembrei de não passar para a pen aquelas fotos comprometedoras.. como aquela, em que estou a dar uma cambalhota no corredor do hotel...

Sunday, October 01, 2006

Vítima de metrosexualidade

Noite de borga em casa de uns amigos. Eu com a minha pontualidade britânica cheguei ainda antes do resto do pessoal. O telemóvel toca e o dono da casa decide descer para ir encontrar-se com um amigo que andava ás aranhas à procura da casa. Antes de sair de casa, vira-se para mim, baixa a cabeça e diz-me:

- Vê lá se o meu cabelo está completamente seco porque acabei de tomar banho à bocado e não queria sair com ele ainda húmido..

Entretanto, a malta começa a chegar, a casa a encher. Eis senão quando um amigo chega-se ao pé de mim, estica o pé em cima da minha perna e diz:

- Massaja-me os pés, se faz favor..

- Desculpa??

- Vá lá.. é que estou mesmo a precisar..

- Mas eu não sei massajar pés..

- Claro que sabes!! Vá lá.. Tu consegues..

Quem os viu.. e quem os vê..