Caixa de Pandora
Algures neste fim-de-semana acordei com dúvidas pseudo existenciais. Com questões sobre o comportamento humano e da sua inter-relação com o próximo. Com perguntas ás quais eu esqueci com o tempo. Que meti no esquecido alçapão do baú e fiz questão de perder dentro de mim. Mas ontem encontrei-o e hoje quis abri-lo. Maldita hora em que o fiz.
Se havia resoluções que outrora havia feito, essas mesmas foram-se desfazendo com o tempo. Quando dei por mim, estava de novo no ponto de partida.
Mais fragilizada. Mais vulnerável. O sentimento de solidão volta a instalar-se. E com ele, picardias doentias entre o eu e o mim mesma, que me consomem, que me devastam.
Sei que outrora podia ter desfeito tudo mas em vez disso calei-me. E não me arrependo. Acarreto eu essas marcas. E vejo que nada mudou. Quando era suposto ter mudado.
Mentalidades que foram por ti moldadas, domadas e até mesmo subornadas, mas há sempre uma excepção. Que te enfrenta. Que te diz não.
Talvez seja por isso a incapacidade de perdoar.
Talvez por viver continuamente a mesma luta. Onde cedo quando devo estar de sentinela permitindo-me que é desta que vens com um acordo de paz, quando afinal escondes a tua mala-bomba num qualquer canto da casa, antes de te refundires.
Onde eu expludo mais uma vez, abandonada, desamparada, com disparos de palavras, onde como sempre, são mais uma vez por ti desprezadas.

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