Carta ao Futuro

Tuesday, October 31, 2006

El Sebastião do século XXI

Pouco mais de duas semanas passaram desde a última vez que nos tínhamos visto. Eu, confesso, já me tinha habituado à ideia, mais que conformada, de tão cedo não o voltar a ver.
Até ontem.

Estava eu a caminho de casa depois de um relaxante fim de tarde, após um infindável dia de trabalho, na companhia da minha melhor amiga, a partilhar a “dor da ressaca” do fim-de-semana que havia terminado, quando, surpresa das surpresas, o telemóvel toca.
Eras tu.

E querias saber como eu estava, se não queria ir beber qualquer coisa. Inevitavelmente, dei por mim, sentada no comboio sozinha com um sorriso de orelha a orelha. E combinamos. Entretanto, informaste-me que não poderias ficar tanto tempo assim, mas que passavas aqui na mesma, que iríamos até ao nosso spot. E demoraste os “tais setes minutos”. O tempo voou e disseste que tinhas de ir. Do meio do nada, disseste que se desse, mais tarde, ainda passavas por aí. E eu disse que sim.

Pouco mais de hora e meia depois perguntaste-me onde eu estava. Combinamos ir ter com um pessoal. E fiz-me à estrada pelo meio da humidade que caía. Dando passos para o incerto, sem conseguir ver muito mais além. E percorri o caminho todo assim até ao destino. Ainda não tinhas chegado quando comecei a falar ao pessoal. Perguntava-me por ti, enquanto os olhos percorriam todas as caras à minha volta a ver se te via. Viro-me para trás, e vejo-te a cortar a neblina, a sorrir, com duas garrafas nas mãos.

E no regresso a casa paramos no sítio de sempre. E estagnamos a olhar para uns gatos, e sussurrávamos em surdina lado-a-lado inclinados para a frente a contemplar a mãe e a sua cria.

E voltaste a sussurrar, vamos andando. E lentamente levantamo-nos para não assustar os gatos. Despediste-te de mim, não sem antes de determinado seguires os teus sete minutos, olhares mais uma vez para trás e sorrir para mim.

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