Entre sonhos
O dia cinzento agrada-me. É meio melancólico, as pessoas andam por andar, sem aquela vontade e genica. Sentem-se como o tempo. Vão indo. Mas eu gosto de dias assim. Não está muito quente, nem está muito frio. Um pequeno casaco consegue equilibrar a temperatura sem estar demasiado atolada em roupa. Gosto. Os prédios ganham outra cor, a sua, sem o contraste exagerado do sol ou da chuva. Parecem mais nítidos. Já há folhas amarelecidas caídas no chão.
E hoje, contrariamente aos outros dias assim, acordei naquela de me deixar arrastar pelo tempo. De voltar a questionar-me, a procurar razões, motivos. Quem sabe soluções.
Foi então que (e isto levou muitos anos a treinar), a minha parte mais racional se impôs vinda do nada e quando dei por mim, estava a colocar um dos meus álbuns preferidos, que já não ouvia há largos meses. “In between dreams” do Jack Johnson. Todo o álbum tem um groove que é impossível ficar parada. E um sorriso começa a surgir enquanto balanço ao som das músicas que me enchem a casa de sonhos outra vez.

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