Carta ao Futuro

Thursday, October 19, 2006

O rapaz que passeia o cão

Conheci-o numa noite em que passeava o meu cão. Já o tinha visto anteriormente por duas vezes, com vários meses de diferença, mas excepto esses momentos pontuais nem me lembrava da tua existência.
Até àquela noite de Verão, em que no meio do nada um cão apareceu a meter-se com o meu, que estranhamente não rosnou, e entrou na brincadeira. Fiquei surpresa quando te vi a rasgar a escuridão enquanto a luz do candeeiro te alumiava o rosto. E meti conversa, por entre a tua timidez e ficamos mais de uma hora a falar. Parecia que já nos conhecíamos há muito, a partilhar histórias a adquirir conhecimentos. Combinamos logo ir à praia e promessas de borga. E todas as noites, nos encontrávamos para passear os cães.
Entretanto partiste. Início de vida académica, fora daqui. Mas estiveste sempre presente.
Surpreendias com mensagens, prometias o regresso.
E hoje voltaste.
Assim que te vi saltei-te para os braços, tinha saudades dos nossos passeios. E fomos comemorar com uma cerveja, ouvir as novidades que nos aconteceram. Deixaste-me à porta de casa, não sem antes teres a confirmação, se eu também iria esta noite passear o meu cão.

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