“Se ainda não deu certo, é porque ainda não chegou ao fim”
Já ouvi a mesma explicação, dita de várias formas por pessoas diferentes. Umas mais assertivas que outras, mas no fundo, directa ou indirectamente, mais ou menos subjacente, a essência está lá. Há quem diga que esteja em negação, com ilustrações musicais a acompanhar, há quem diga que esteja a jogar pelo seguro, para me deixar ir. Mas para me manter assim.
A minha explicação? É que há portas que ainda não estão prontas para serem abertas, embora volta não volta sopre uma brisa por baixo da porta. Dou comigo num estado interior de pita adolescente, mas sempre com postura low-profile. Encontro-me a rir da pedrinha do passeio que ressaltou noutra mais em frente, e a caminhar num carreirinho de um qualquer prado verdejante, quando na realidade estou a atravessar a marginal a correr aproveitando os sinais terem passado para vermelho e não vir ninguém do lado oposto.
Já ouvi várias justificações. Dão que pensar, que ponderar. Faz-me meditar para um universo de pontos de interrogações em luzes néon de confrontos entre o passado e o presente. Faz-me acordar para a vida, ganhar consciências, enfrentar medos, sair desta redoma onde me tranco sempre que a vida me vira as costas. Há assuntos por resolver, outros que não têm solução, outros que precisam mais de respeito do que aceitação.
Mas agora nada disso interessa. Aproveito cada momento, entrego-me aos pensamentos, recordo certos momentos, permito-me divagar. Mas estou atenta à voz interior que me acalma a ânsia. E sei que muito provavelmente ficará tudo por aqui, mas estou mais que contente, porque sinto que despertei. E não será apenas uma fase passageira. Farei por isso.
Já há muito que não me sentia assim. E sabe bem. Gosto. Mas sempre com os pés na terra, atenta ao que me rodeia. Sem grandes ilusões, nem grandes expectativas. Porque o que interessa é o agora. E agora eu sinto-me bem.
Feliz.

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