Carta ao Futuro

Thursday, November 30, 2006

3, 2, 1 Acção

Tal como actores de uma novela que seguem o que está escrito no guião, levamos a nossa avante depois de uma tarde a ler e reler as cenas dos próximos episódios.
Quando nos encontramos na noite seguinte debaixo dos holofotes do nosso palco já sabíamos o que se iria passar.
Ao som da claquete, entramos na nossa realidade que tanto tínhamos debatido. Mas as expectativas mutuamente discutidas não estavam a ser correspondidas. E um ambiente de estranheza envolveu o set, algo de estranho parecia assolar aquele momento.
Percebemos, quando as câmaras se desligaram que não conseguiríamos terminar esta novela. Os nossos papéis são demasiado principais para nos deixarmos levar por um qualquer enredo. Mesmo que seja pensado e realizado por nós.
Mas não nos arrependemos. Fora do que havia sido o nosso cenário, envoltos pelo nosso último sfumato definimos as nossas linhas e limites.
Terminámos este capítulo com a certeza de que há feitiços, que por vezes, não devem ser quebrados.

Friday, November 24, 2006

Manobra de Diversão

A minha ideia era fazer uma pausa. Um pequeno interregno até parte deste encanto passar uma vez que não consigo escrever sobre mais nada excepto sobre este feitiço que me foi lançado.
Em amena tertúlia fui “ameaçada” para não o fazer e depois de pensar - nem foi preciso ponderar – decidi não o fazer.
A verdade é que depois de vários períodos de baixos, desde que esta nossa pequena história começou a ser escrita, a minha vida deu uma volta de 180graus.
Os meus conceitos e princípios por mim defendidos e bastante bem argumentados, cimentados com meses, anos de razão vieram por água abaixo num abrir e fechar de olhos.
Não sei o que hei-de pensar, nem se o que eu penso está realmente certo ou se é apenas aquilo em que eu quero acreditar baseada apenas na minha famosa imaginação fértil.
Queria conseguir perceber se as asas daquelas borboletas sentidas também te tocaram ou se foi apenas um truque da minha mente (demente).
Não me importava de viver realmente este momento, ao invés de o andar a rodear, mas como alguém me disse, o meu coração está perdido, e estou apenas a tentar salvar o meu orgulho.
Assumo depois de algum custo inicial, ou talvez porque o ouvi da tua boca, que gostamos de estar um com o outro. Tanto conversamos como falamos, como nos divertimos pela noite fora. É incrível, aos meus olhos, aperceber-me do avanço que se desenrolou entre nós.
Olho para ti, e não te vejo. Apenas vivo todos esses pormenores de ti que fazem quem tu és. E por enquanto, isso chega-me.
Apaixonada? Eu? Em negação? Eu? Não. Mas vivo a minha manobra de diversão. E enquanto me for permitido, I just go with the flow.

Wednesday, November 22, 2006

Síndrome Floribela

Continuo enfeitiçada neste meu encanto. Por vezes acho que já não. Mas confrontando as amigas elas dizem que não. Pode ser o factor surpresa que esteja a desvanecer, uma vez que os nossos encontros agora são quase tão naturais como a nossa sede, mas o encanto mantém-se. É possível.
Continuo com o sorriso estampado no rosto. Tudo é super hiper mega ri-fixe, muito colorido. Flores, música e confetis. Tudo é engraçado, tudo tem piada. Ainda não falo com árvores mas ando pelas ruas a rir sozinha, e já faltou mais para pedir ajuda ás fadas mágicas. Ainda não tenho os ténis da sorte, mas por enquanto ainda não me fazem falta. As manhãs são de um universo paralelo ainda sem consciência plena das descobertas da noite anterior. As tardes são de reencontro com esses novos pormenores envolvendo-me numa atmosfera magnética, onde os cinco sentidos ganham vida e se exprimem em palavras cada novidade por mim desvendada na nossa última saída. O sinal no lábio, o remoinho no cabelo, o descanso dos olhos, as pestanas.
Depois vem a noite. E eu volto a encantar-me.

Monday, November 20, 2006

Das duas uma

É um dado adquirido pela minha pessoa que qualquer mensagem que te envie que não tenha uma pergunta específica, não terá, por enquanto, direito de resposta. Consciente desse facto, foi com enorme surpresa que estagnei quando a meio da manhã de hoje o meu telemóvel tocou e vi que a mensagem era tua e que, tal como as que eu já te havia enviado, não tinha nenhuma pergunta específica.
De estranhar ainda mais, foi o facto de ter estado praticamente a trocar mensagens contigo o dia todo. O que, recorde-se que da primeira, e única vez que tal aconteceu, embora fossem mensagens a combinar a nossa escapadela (incrível como são precisas mais de dez mensagens para chegarmos a um consenso) conseguiste gelar-me com a falta de sentido oportuno com o conteúdo das mesmas.

Anyway..

O que quero dizer com isto é: das duas uma: ou algo está a mudar, ou então estou prestes a chocar com um icebergue.

É incrível..

.. como tu sempre te lembras de mim nos escassos momentos em que te abstraio do meu pensamento.

Saturday, November 18, 2006

Se escrevo..

.. entro em divagações e em psicoses de pensamentos, um mix dos meus receios com a realidade vista do meu ponto de vista, onde a vulnerabilidade do momento me deixará de rastos, fazendo-me crer que alcancei uma qualquer verdade absoluta.

Gosto

Gosto das nossas noites marcadas à última da hora num qualquer espaço das nossas redondezas. Gosto de olhar para ti quando falas, ou quando os nossos olhos se cruzam e ficam fixos enquanto dás uns tragos na cerveja. Gosto do teu sorriso de menino. De ficar a olhar para ti enquanto estás calado absorto, alheado em um qualquer pensamento súbito teu. Gosto de te olhar de perfil. De te passar a mão pelo cabelo. Gosto quando tomas a iniciativa. Quando consigo meter algo no teu bolso mesmo debaixo dos teus olhos sem tu te aperceberes. Gosto das nossas conversas, e da tua sensibilidade. Gosto da maneira como vês as coisas. Gosto da tua justiça. Gosto de te ver de gorro. Gosto.

Thursday, November 16, 2006

Um telefonema. Uma mensagem. Gafanhotos. Vinho. Sagres. Risos. Olhares. Sorrisos. Toques. Bebé. Chucha. Biberão. Divagações. Carro. Histórias. Contos. Piadas. Chuva. Gorro. Festa na cara. Cócegas no joelho. Música. Blackbird. Gatos. Banquinhos. Conversas sérias. Dois beijos na cara. Eu. Tu.

Wednesday, November 15, 2006

Não me apetece

Simplesmente não me apetece. Mas vou, porque foi ideia minha. Fui eu quem tomou a iniciativa. Mas agora não me apetece.
Penso que a molha que apanhei hoje de tarde, em que cheguei tão molhada como se tivesse saído de uma máquina de lavar roupa sem centrifugar era um pequeno aviso para o balde de água fria que dentro de horas iria levar.
Sem aviso prévio. Ou talvez com aviso. Se calhar, o facto de estar tanto tempo a trocar mensagens contigo tinha o seu reverso. E veio como uma chapada sem mãos. Inesperada. Pela calada.
E embora parte tenha ruído, como que desfeito em cinzas, em pó, fiz o que me pediste.
Sem grandes expectativas, não há grandes (des)ilusões, apenas pequenas mazelas. O encanto, esse, está a desvanecer, o que por seu lado, quanto mais cedo melhor.
Agora aguardo, por notícias tuas, mas simplesmente.. não me apetece.

Prefiro..

..que me firam com as verdades do que me iludam com as mentiras.

Tuesday, November 14, 2006

A surpresa

Resolução de fim-de-semana: vou ficar quieta no meu canto até tu dares sinais de vida.
E foi isso mesmo que aconteceu. Resolução de fim-de-semana.
Segunda-feira à noite, chego a casa pronta para me deitar. O pijama já estava meio vestido quando o meu telemóvel tocou.
Assim que vi que a mensagem era tua, um sorriso maior que o da Manuela Moura Guedes ficou esboçado na minha cara.
Querias saber por onde eu andava. E inversamente à velocidade com que vestia o pijama, voltei a vestir-me com uma celeridade supersónica e aguardei que chegasses.
E lá fomos nós. Bem acompanhados para mais uma rega noctívaga.

Tal como das outras vezes falamos e rimos sem parar num par de horas que passou a voar.

Monday, November 13, 2006

Roupas

A Cristina para a Filipa:

“Reconheces esta camisola que trago vestida? É a tua. Aquela que me emprestaste da outra vez em que fiquei em tua casa.”

Filipa: “Ah pois é!! E sabes de quem é esta que eu trago vestida?”

Cristina: “Não é tua?”

Filipa: “Não, é da Greta. De uma vez que ela ficou lá em casa e deixou-a ficar. Foi ficando. E eu vou vestindo.”

Cristina: “Ah que giro. Agora que falas dela, acho que trago vestidas as cuecas que tu me deste. Eram dela não eram?”

Filipa: “Yah, eram. Realmente, a Greta mesmo ausente, está sempre presente.”

On Request - Blackbird

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free

Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night
Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise


Beatles

Há coisas fantásticas, não há?

Entre duas amigas:


Amiga I : “ I
sso nasce com a pessoa não se adquire”


Amiga II: “Então não... cagar no mesmo período em que se mija...Ás vezes ela vai a casa de banho, naquela yah vai mijar, aparece ela: agora sim estou muito melhor... o teu tempo de mijares é o tempo dela cagar. É fantástico.”


Amiga I: “É de facto formidável. Há coisas fantásticas não há?

Confidências

eu: “olha sendo directa e sem rodeios, amiga faz-te ao piso!! Curtes do gajo e tal...só conseguimos alguma coisa quando vamos busca-la!”


ela: “pode ser para a semana?? Não vais acreditar mas apareceu me herpes na boca.. Não me dava muito jeito fazer agora ao piso.”

Coincidências

ela: “Então, e a mota por acaso tem nome?”

ele: “Olha.. Por acaso até tem”

ela: “E como é que se chama a tua nova namorada?”

ele: “Blackbird”

ela com o ar mais ‘surpreendida inesperadamente’ possível: “Não!! Não vais acreditar, mas agora ando a tentar tocar uma música dos Beatles que se chama: Blackbird.”

Saturday, November 11, 2006

O brincalhão

Combinanço durante o dia de que à noite irião estar juntos. Mensagem enviada. Resposta não recebida. Medida drástica tomada. Coragem. E telefone a chamar. Do outro lado.

Ele: “ olá, olá, então, tudo bem?”

Ela: “ tudo em ordem. Onde anda o menino escondido?”

Ele: “Eh pah, estou aqui a namorar…”

Ela surpreendida, mas tentando adoptar o seu ar mais normal de sempre: “ Ai é? Desculpa lá interromper o momento..”

Ele: “Ah.. Não faz mal. Não à problema.. Tou aqui a olhar para a minha mota nova, não consigo tirar os olhos de cima dela. Eu já aí passo”

Ela, com ar mais descansado: “Tranquilíssimo. Aproveita ao máximo a tua nova menina. Até jáá!”

Friday, November 10, 2006

Ás portas

O problema de ter portas por abrir faz-me hoje sintir num limbo entre o The ghost song e The End.

A fotografia

Noite. Algures num descampado verdejante com a auto-estrada a passar ao fundo. O rádio ligado, duas pessoas encostadas ao carro a saborear uma garrafa de vinho relembram acontecimentos de infância.

ele “ uma vez na primária, tava a brincar no parque e um gafanhoto, daqueles castanhos grandes, do meio do nada saltou para a minha braguilha. E ficou ali. Não saia. Fui mostrar à minha professora, ela começou a rir e disse para eu não me mexer que queria tirar uma fotografia. Ainda hoje tenho essa foto.”

Thursday, November 09, 2006

Sem remorços

Hoje encontrei a avó de uma ex amiga minha. Melhor, ex melhor amiga. Já há muito tempo que não a via. Anos mesmo. Incontornavelmente, acabei por perguntar pela neta, despedi-me da senhora e segui o meu caminho. Onde não pude deixar de relembrar.
E tenho mais uma vez a certeza, de que fiz a escolha acertada, quando há uns meses atrás “acidentalmente” me enviaste uma mensagem, onde acabaste por pedir desculpa. Mais de três anos depois de teres virado costas sem razão aparente, a única resposta que obtive foi um “Não ias conseguir entender”, sem sequer tentares. E gostava de apenas saber esse porquê porque nada de resto iria mudar. Não voltaria a existir a amizade que houvera. E nem eu estou interessada. Dei o passo. Aprendi muito. Voltei a erguer-me. Consegui ultrapassar todas as pedras que tinhas deixado pelo meu caminho.

Construí uma verdadeira irmandade. Uma amizade que já ultrapassou muitas tempestades e que se mantém firme, indestrutível. Uma razão, uma certeza inabalável mesmo quando tudo o que me rodeia é dúbio. Um porto de abrigo, sem recolher obrigatório. E agradeço-te. Por me teres virado as costas. Porque ironicamente, sai a ganhar. Não que seja uma competição, nada disso, fora de questão, mas nada, do que possas fazer ou dizer poderá algum dia fazer-me por em questão, duvidar ou desistir do castelo maravilhoso que me ajudaste a construir.

Tuesday, November 07, 2006

Tremo...

... e não sei se é de frio ou de ansiedade...

Arrisca!!

Arrisca!! Disse-me ela enquanto lhe propunha uma ideia para o bolo que de repetente decidimos cozinhar.
Mas foi mais que isso. Essa palavra fez-me parar o movimento circular da colher de pau que derretia o chocolate no tacho. Tal como a imagem animada que temos na nossa cabeça de uma lâmpada a alumiar-se imaginariamente ao nosso lado sempre que temos uma ideia, essa palavra despertou em mim algo adormecido que apenas esperava por uma palavra de ordem para acordar.
Hoje, quando estou indecisa, no meio de dois termos que precisam de um encaminhamento, essa pequena palavra proferida na banalidade do momento indeciso vem-me à cabeça e faz-me agir.
A firmeza e determinação com que foi proferida ainda está bem viva dentro de mim, e quando não sei se siga ou não frente, se dê ou não o passo, se ofereço ou não o braço a torcer, esse mesmo eco vibra em mim e quase que inconscientemente dou por mim a arriscar.

E hoje não podia ter sido diferente. Ansiosa por uma atitude da tua parte arrisquei, e espero por uma resposta positiva da tua parte. As acções ficam para quem as pratica. E embora o tenha feito devido à ebriedade do momento, talvez jogando com as palavras de modo a garantir-te esta noite para uns copos, fi-lo baseada apenas nas minhas expectativas, e arrisquei. E não me arrependo.
E agora espero. Porque é tudo o que me resta.

Monday, November 06, 2006

Acordo de cavalheiros??

Há uns dias a falar com uma amiga ela comentou que devo estar a viver um acordo de cavalheiros. Um de cada vez alternadamente, sem data marcada, do meio do nada convida o outro para uns copos. É bem capaz de ser verdade. Fazendo uma retrospectiva constato que algo assim muito semelhante é o que se tem passado.

Agora lembro-me. Da última vez em que te procurei já estavas tu de regresso a casa, mas deixei pendente um convite. E espero agora por um sinal teu a avisar que o cavalheiro tem o seu fígado preparado.

Sunday, November 05, 2006

A última a saber

Recebo uma mensagem de uma amiga de infância, que sempre morou no meu bairro. Andamos sempre na mesma turma, famílias amigas (inevitável), férias conjuntas. E por aí fora.
No início do ano, ela casou-se e foi morar com o seu esposo para a outra margem. Os nossos cafés diários passaram a ser bimensais ou algo do género. E recebo uma mensagem dela a perguntar se tenho tempinho para um café rápido. Disse que sim, e desci logo.
Depois dos abraços e primeiras apreciações lamechas no meio da praceta, dirigimo-nos para o café onde nos sentamos na esplanada.

Ela – “Então, novidades? Que tens feito? Sempre que cá venho nunca estás cá. Estás sempre para fora.”

Fala-barato como ás vezes me torno, comecei ali a contar tudo e mais alguma coisa, descrevendo os pormenores mais rídiculos do que se passou comigo desde a última vez que a vi.

E falo, falo, falo, não me calo. O café fica frio e eu continuo a falar.

Do meio do nada, a D. Diana, a senhora do café, vem até à esplanada e vira-se para a minha amiga e respectivo esposo:

D.Diana – “Muitos parabéns!! Já sei da notícia!! Que corra tudo muito bem!!”

Surpreendida com o que acabara de ouvir, espero que a senhora se vá meter na sua vida e pergunto.

Eu – “Parabéns?? Mas parabéns porquê??”

Ela – “ Tu ainda não te calaste ainda não te consegui contar: Estou grávida!!”

Só tu

Dos lábios que me beijaram,
Dos braços que me abraçaram,
Já não me lembro, nem sei...
São tantas as que me amaram!
São tantas as que eu amei!

Mas tu, (que rude contraste)
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei,
Só tu, nesta alma, ficaste
De todas as que eu amei.

Paulo Setúbal

S. Pedro

Por vezes tenho a sensação que S Pedro tira férias aos fins-de-semana. Aos domingos deve começar a aperceber-se do início da semana e começa a ficar nublado. Chega segunda-feira, mete-se a chorar baba e ranho pela próxima sexta-feira, altura em que alguns raios solares são mais sensíveis pressentindo mais um período das suas santas férias.

Claro que há excepções, quando ele faz horas extraordinárias.

E nós, vítimas.. sofremos com isso.

Thursday, November 02, 2006

Ca Med(r)o(nhos)

Parece que vale a pena acordar virada para o outro lado. Com o passado a questionar e a arranjar coragem para enfrentar o derradeiro dia.
Parece que sim.
Cheguei ao escritório e sem conseguir disfarçar:

Chefe – “Mas que cara essa..”

Eu – “Sim. Hoje não estou muito bem disposta. Muito menos bem humorada.

Chefe – “ Ok. Vou já buscar uma aguardente de medronhos para a menina ver se se anima”.

E não é que já estou quentinha e.. parece-me que menos aborrecida.