Sem remorços
Hoje encontrei a avó de uma ex amiga minha. Melhor, ex melhor amiga. Já há muito tempo que não a via. Anos mesmo. Incontornavelmente, acabei por perguntar pela neta, despedi-me da senhora e segui o meu caminho. Onde não pude deixar de relembrar.
E tenho mais uma vez a certeza, de que fiz a escolha acertada, quando há uns meses atrás “acidentalmente” me enviaste uma mensagem, onde acabaste por pedir desculpa. Mais de três anos depois de teres virado costas sem razão aparente, a única resposta que obtive foi um “Não ias conseguir entender”, sem sequer tentares. E gostava de apenas saber esse porquê porque nada de resto iria mudar. Não voltaria a existir a amizade que houvera. E nem eu estou interessada. Dei o passo. Aprendi muito. Voltei a erguer-me. Consegui ultrapassar todas as pedras que tinhas deixado pelo meu caminho.
Construí uma verdadeira irmandade. Uma amizade que já ultrapassou muitas tempestades e que se mantém firme, indestrutível. Uma razão, uma certeza inabalável mesmo quando tudo o que me rodeia é dúbio. Um porto de abrigo, sem recolher obrigatório. E agradeço-te. Por me teres virado as costas. Porque ironicamente, sai a ganhar. Não que seja uma competição, nada disso, fora de questão, mas nada, do que possas fazer ou dizer poderá algum dia fazer-me por em questão, duvidar ou desistir do castelo maravilhoso que me ajudaste a construir.

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