Carta ao Futuro

Thursday, December 28, 2006

Piadinha

-Chefe, apercebi-me hoje que este é o meu último dia de trabalho de 2006.

- Não é não – atira-me ele friamente sério – preciso de ti amanhã.

- Para quê? – pergunto eu sem perceber onde é que ele pode precisar de mim amanhã.

- Para hoje não ser o teu último dia de trabalho – diz ele desmanchando-se a rir.

- Mas estamos bem animados hoje, ‘tou a ver.

- 'Tive bem agora não 'tive??

Cafés

Todos os dias de tarde quando chego ao escritório, a discussão com o chefe é sempre a mesma. Quem é que tira os cafés. Subordinada como sou, acabo grande maioria das vezes por ser eu a tira-los.
Hoje, chego ao local de trabalho em passo bem acelerado por já estar um pouco atrasada, dou de caras com o chefe a preparar os cafés.
- Eu também quero um – disse ainda a fechar a porta. – Deves estar doente, o que é que se passa?

- Eh pah.. ia apanhando uma tosga hoje de manhã.- disse-me ele enquanto ligava a máquina.

- Então?

- Vi aí esses chocolates. Comecei a come-los, eles têm ginga.

- Chocolates, logo de manhã? Como consegues comer isso? – questionei-o eu com o estômago ainda sensível a certas palavras depois desta época de festividades.

- Não são chocolates.. São gingas. E comecei a ficar com dores de cabeça. Não tinha comido nada, olha, só podia ser do licor. A caixa está ali no lixo para depois a levar para baixo…vazia.

- Ahh então é por isso que estás aí todo acelerado..

- Podera

Trivial Natalício

Num Natal passado entre amigos e conhecidos decidiu-se jogar uma partida de Trivial. Com o espírito natalício à flor da pele, as respostas saltavam instantaneamente da boca do jogador sem ter consciência do que estava a dizer.

Pergunta: Qual é o continente mais gelado?

Resposta: Canadá

Pergunta: Qual a primeira letra do abecedário russo?

Resposta: C

Pergunta: O que é o ar?

Resposta: Ar ventoso

Pergunta: Que reinos ficaram unidos pelo casamento de Isabel de Castela e Fernando de Aragão?

Resposta: Portugal e Espanha

Last Day

Após mais de uma semana imparável ( hoje foi a noite em que dormi mais horas desde o passado dia 15), apercebi-me hoje, pouco depois de acordar que:

Hoje é quinta-feira, e não quarta como eu pensava que fosse quando despertei

e..

hoje é o último dia de trabalho do ano para mim.

Oh Yeah!!

Friday, December 22, 2006

Imparável

Horror!! Tenho andado de um lado para o outro durante esta semana. Tenho dormido muito pouco, deitado de madrugada e acordado com o galo.
Entre jantares que acabam tardios a pequenos-almoços auroriais, com tempo para trabalhar para ao fim do dia voltar ao início do círculo.
Eu sei que o Natal dá trabalho, e eu nem ligo muito a esta época, mas este ano está a ser demasiado cansativo.
Prendas não há nenhumas, mas estou farta de comprar coisas.
Ontem, regressada a casa depois de mais um jantar, já deitada, as pernas doíam de cansaço, depois de 3h30 de sono da noite anterior, preparadíssima para ir para o mágico mundo dos sonhos azuis, toca o telemóvel. Era o vizinho a saber se ainda estava acordada. Ia hoje de manhã para a terrinha e queria despedir-se de mim.
Lá salto eu da cama há uma da manhã, volto a vestir a indumentária e vou para o gelo da rua esperar pelo vizinho. A despedida, que obrigatoriamente levou a meter parte da conversa em dia, acabou perto das três da manhã.
Hoje de manhã acordo com um telefonema de uma amiga que estava a chegar ao café para o pequeno-almoço.
Daqui a nada vou a um lanche de aniversário, depois sigo para a capital para ajudar nas compras de um amigo e volto para um jantar de aniversário. Amanhã a rotina repetir-se-á. Pequeno-almoço e jantar de Natal me aguardam.
Pelo andar da carruagem, vou passar a meia-noite de 24 a ressonar. Essa, será a minha prenda.

A gravidez

A irmã do Luís casou há cerca de ano e meio. Poucos meses depois entrou em estado de graça e foi dar a notícia ao seu maninho.

- Olá tio?

Tio?? – perguntou o Luís a olhar com ar surpreendido para a sua irmã.

- Sim. Vais ser tio dentro de aproximadamente nove meses. Estou grávida!!

Mas tu estás parva? – Começou o seu irmão – tu já viste como anda este país? Que consciência é essa que tu tens de vir pôr mais uma criança neste mundo estando isto tudo de pernas para o ar.

- Oh Luís, mas tu estás parvo? Já ouviste bem aquilo que me estás a dizer? - Exclamou a irmã dele surpreendida com a atitude do seu irmão.

- Eheheh Tava a brincar contigo maninha!! Muitos parabéns pela gravidez.

A Realidade

Durante muito tempo ele foi alguém que eu gostaria de conhecer melhor. O que primeiro me chamou a atenção nele foi a voz. Inquestionável!! Com a voz veio tudo o resto. A maneira como fala, o sorriso, os olhos, a altura, enfim… basicamente, o package inteiro.
Nunca tal se havia proporcionado até uma noite de Outubro.
Até essa noite, raramente o via, os nossos caminhos andavam sempre desencontrados. Sabia por onde ele costumava parar mas jamais me passou pela cabeça invadir o espaço dele só por um capricho meu.
No entanto, assim que houve oportunidade, não a deixei escapar.
Entre reticências dei o primeiro passo, que foi positivamente bem correspondido. A partir daí nunca mais parou.
Em acordo de cavalheiros quase que diários, lá seguíamos para os nossos momentos, que por vezes quis que se prolongassem eternamente.

Hoje, já não anseio assim tanto pelos nossos encontros. Não sei se é só da minha parte, ou mútuo ou se é apenas uma fase.
Mas ainda não há muito tempo atrás queria que este momento nunca, jamais chegasse, e a realidade, é que chegou. Sem aviso prévio instalou-se e foi-se alastrando sem me aperceber. E estranhamente não estou triste, aborrecida nem deprimida ou qualquer outro sintoma/sentimento/emoção que supostamente deveria daí advir.
Pode ser verdade que, quem tudo quer, tudo perde. Embora ainda não esteja de todo perdido, ás vezes acho que não quero sequer tentar. E não é por mal.

Wednesday, December 20, 2006

Prometo

Já lá vão duas semanas desde a nossa última escapadela noctívaga. A cessação de procura é mais que evidente, embora se mantenha, ou não, o interesse.
Ontem recebi uma mensagem dele. Banal. A perguntar como estava, como tinha sido a festa. Espantei-me quando afirmou que até me tratava bem na tua ausência, como se fosse uma espécie de propriedade sua.
E contrariamente a todas as outras vezes, fiquei na minha e cortei qualquer deixa. Apenas não me apetecia nem estava com vontade de estar a escrever mensagens. Posso ter sido fria, ou se calhar estou neste momento a dar demasiada importância. Ás tantas só queria mesmo justificar-te e nada mais.
Estaria a negar-me se dissesse que não sinto falta das nossas noitadas. Os risos, os olhares furtivos, a música de fundo, as piadas instantâneas. Acho que se deve ao facto de andar ultimamente a pensar no facto de haver pessoas que na sua maneira de ser/estar têm tudo e não têm nada e outras que não têm nada e têm tudo.
Há tanta coisa que me atravessa o pensamento neste momento, tenho tantos atrofios meus para pensar e ver se consigo desenvencilhar nesta altura que confesso que ele tem sido deixado para segundo plano.
Mas prometo a mim mesma, que assim que me passar esta má onda vou procura-lo para voltarmos a fazer as festas que só nós juntos conseguimos fazer.

Florinho ou Vitella

Ontem assisti a um pequeno assassinato televisivo.
Quem não se lembra do delicioso Vitinho que nos vinha dar as boas noites todos as noites? Até a almofada eu tive.
Pois é!! Ontem vi a versão século XXI. Depois dos beijinhos que ela manda o voz-off mandar aos seus amiguinhos, aparece a Floribella de pijama a cantar uma música de boa noite aos mais novos num fundo celestial.

O engraçado no meio do ridículo da competitividade televisiva será ver o que irá a concorrência preparar. Já posso imaginar umas coisas. Uma doce fugitiva de freira a arranhar uma suposta música de embalar qualquer ou até mesmo uma daquelas bandas descartáveis com os seus corpos à mostra bem oleados com os seus penteados mui fashion e vozes angelicais a sussurrar uns sonhos felizes.

Sinceramente, eu contentava-me mesmo era com a versão dos Moonspell do Noddy!! Isso é que era.

Tuesday, December 19, 2006

Jingle Bells

Já há alguns anos que deixei de ter o chamado espírito natalício. Já lá vai o tempo em que Dezembro era o meu mês preferido.
A festa que se fazia na altura de montar a árvore de natal, as prendas no sapatinho sob aquele arco-íris de cores intermitentes, as decorações.. já lá vai.
Ainda hoje, se há coisa que gosto de fazer neste mês, é calcorrear as ruas e apreciar a iluminação da época. Remonta-me ao passado.
A festa familiar, a excitação, as correrias, poder ficar acordada até de madrugada, o relógio que demorava séculos a passar para o minuto seguinte.
Hoje em dia é para mim um período stressante. O sentido, esse, perdeu-se.
Mas por momentos, consigo voltar atrás no tempo.
Meto o Jingle Bells, mas a versão da Diana Krall a cantar/tocar bem alto, de janelas abertas para todo o bairro ouvir. E em loop, consigo reviver o espírito natalício, entre pulos, saltos, swings e tudo o mais que me é motoramente permitido.
Esta versão é, para mim, uma injecção de espírito natalício. Ho Ho Ho!!

Monday, December 18, 2006

Brincadeiras

Ele tira a caixa do gelado do congelador e encosta e retira numa questão de segundos da cara da namorada que estava sentada de costas.
Dez minutos depois, ele olha para ela e repara numa mancha na zona onde havia encostado a embalagem.
Outros dez minutos mais tarde ele vai buscar um espelho, vira-se para ela, e diz-lhe que está com uma mancha na cara.
Ela pega no espelho, olha atentamente, olha para o namorado e diz:

- Estúpido!! Queimaste-me a cara!!

A sombra

Festa em casa de um amigo. Imenso pessoal a circular pela casa. Como costume, o grupinho, que desta vez estava mais alargado, marca a sua presença constante na cozinha.
No auge da festa, um dos amigos do dono da casa entra na cozinha onde nos riamos desalmados de um acontecimento qualquer, sendo o nosso barulho bem mais alto do que o do trio feminino que gritava desesperadamente agarradas aos microfones do jogo de karaoke.
Sem quê nem porquê, o rapazito decide meter-se connosco fazendo um comentário qualquer acerca da barriga de um dos rapazes do nosso grupo.
Ora com quem ele se foi meter. Logo com a única pessoa que nunca fica atrás de ninguém. A única pessoa que tem sempre uma maneira de virar o jogo contra o feiticeiro numa questão de segundos.
- O que é que tem a minha barriga? É para te fazer sombra!!

Saturday, December 16, 2006

Welcome Back Yellow Baby

Saudades!! Temos de ir rir juntas para um qualquer bar. É bom ter-te de volta ao nosso Portugal.
Aquele abraço

Cabeleireiras II

As conversas de cabeleireiro são um máximo. Então quando contadas por alguém que trabalha num.. é de partir o coco a rir.

Ela: “A minha patroa chamou vaca a uma cliente.”

Eu de boca aberta a ouvir surpreendida ainda mal a acreditar, a pensar que eram sintomas do vinho, o que estava a ouvir.

“Sim. A senhora foi pagar, e a patroa saiu-se com um ‘estas vacas’ eu fiquei estarrecida de boca aberta a olhar para ela. ‘ Fecha a boca, estúpida’”.

E eu fechei, ao que ela riposta.

“Não és tu. Foi o que a gaja me disse quando me viu de boca aberta depois de se ter saído com ‘estas vacas’ à frente da cliente. E eu fechei. Ainda hoje é conversa lá no salão.”

Pois.. imagino!!

Cabeleireiras

Uma amiga minha, cabeleireira, a queixar-se do imenso trabalho que tem tido nestes últimos dias.

Ela: “O salão tem estado imparável. Já mal sei o que é fumar um cigarro. Estava no salão, pego numa senhora, lavo, começo o corte. A meio da secagem, saio-me com um naturalíssimo ‘ai que me esqueci de cortar o lado esquerdo’. Vê lá tu que só lhe fiz meio corte.”

Eu, boquiaberta, espantada com o que estava a ouvir. Ela continua.

“ Ela vira-se para mim, com o ar mais natural e diz-me, ‘ não faz mal, corta o resto para a semana’. E eu terminei de lhe secar o cabelo.”

A Ana

Conheci a Ana, sei lá, há uns quatro, cinco anos, ou talvez um pouco mais. Conheci-a porque ela é A amiga de uma amiga minha.
Uma pequena nota de redactora para afirmar que é ponto assente que as minhas amigas são sempre bem mais velhas que eu, em média, uma década a mais. O que confesso, só me tem trazido mais valias.
Revoltada como eu era na altura, que bem me lembro, recordo-me também que no momento em que a conheci, em que mal a conhecia e ela veio com conversas cheia de moral para cima de mim numa altura em que tudo o que me diziam me passava ao lado, e não a conhecendo de lado nenhum, mais um motivo para nem sequer dar importância. A verdade é que tudo o que ela me disse naquela noite, me bateu forte, tal cabeça enfiada sob um sino em constantes badaladas. (Doze no máximo..).
E ainda hoje, uso e partilho uma máxima que ela me demonstrou nessa mesma noite. Uma lição que ainda hoje mantenho.
Esta noite, revi-a. E quando me viu disse-me, “continuas na mesma”. Já não a vi-a desde o Verão, uma tarde em que ela passou pelo meu bairro em que falamos a correr, numa das pequenas pausas dela do trabalho. Mas tirando esse momento pontual, já lá iam dois anos em que não a vi-a.
E depois do jantar, e da tertúlia na cozinha, enquanto debatíamos o facto de eu ser, do ponto de vista dela, “inconsequente”, enquanto do meu ponto de vista eu sou-o, mas com cabeça, ela abriu o jogo à minha frente. E em poucas palavras disse-me todos os meus pensamentos, desculpas e contornos da minha vida que eu tenho pensado durante todos estes anos. “ Não sou as tuas amigas dos copos”, terminou ela renitentemente a sua postura perante mim. Mesmo sem nada com ela partilhar durante anos, ela tira-me a máscara, e eu anuo porque não tenho por que disfarçar.
E sim. Ela tem toda a razão. Mas mesmo tudo o que ela me disse eu já tinha pensado e repensado. Faz parte da minha consciência. Tal como 2+2 serem 4.
Sim. Ela tem razão.
Continuo na mesma. Nada mudou. Os mesmos medos, fragilidades e auto-punições continuam. Sou a mesma pessoa fragilizada que ela conheceu revoltada há uns anos. Mas agora com mais defesas. Daí o meu ar descontraído. E desenvolvi um estado de deixa andar, porque esta vida não me obriga a pensar. Mas eu tenho essa consciência. Eu sei em cada trago o motivo para o fazer. E tenho cuidado comigo mesma. Excedo-me, por vezes é verdade, mas com limites.
E gosto de falar com ela e de trocar impressões. Porque sempre que tal acontece é como que enfrentar um pouco de mim mesma. Se calhar ela tem razão.. as pessoas não entram na nossa vida por acaso.

Friday, December 15, 2006

Racismo ou Romantismo?

Ele: “este natal vou fazer uma boa acção. Vou ali abaixo ao bairro dos pretos entregar musica de natal "I'm dreaming of a white christmas".”


Eu: “racista.”


Ele: “achas que é demasiado subtil.”


Eu: “bastante, aliás tu primas pela subtileza.”


Ele: “cheira-me a sarcasmo.”


Eu: “acende um cigarro. Dá-me lume.”

Ele: “lol és uma romântica.”

A ideia inicial..

.. era apenas comentar o facto que ia ter agora uma série de festas e jantares.

Festas & Jantares

Como a minha vida deu uma reviravolta neste último ano. Agora que vejo que o ano está a terminar, faço uma pequena retrospectiva daquilo que foi este ano para mim.
Fui ao extremo da alegria e felicidade e da angústia e tristeza.
Começou em Janeiro com uma revelação, seguida do mês de Fevereiro, da minha grande tristeza anual. Afastei-me da família. Entrei em Março com um suíço na minha vida, conhecido num autocarro a caminho de um almoço de trabalho. Em Maio concretizei o meu sonho e vi o concerto da minha vida. Aventurei-me sozinha de mochila as costas por um país estrangeiro. No final desse mês revigorei-me num cruzeiro.
Sempre acompanhada da minha tristeza e dos meus pensamentos negativos fui entre tragos de vinho chegando até Agosto. Férias!! Para além do barulho infernal das obras do andar de cima para os futuros vizinhos que estavam a remodelar a casa que me punha em sentinela logo a partir das 8h30 da manhã, diverti-me bastante. Calor, praia com amigas. O final da tarde sempre em casa vinda da praia com a melhor amiga a saborear uma sangria feita no momento. Sudoeste. Grande aventura. Duas gajas no seu melhor!! Inesquecível. E o violinista dos Arcade Fire.. ui ca medo!!
A minha melhor amiga aluga casa com o seu respectivo. Maravilha. Deles e minha. Ah pois é!!
Entre limpezas e compras, esfreganços e lavagens de janelas e afins ( diz que fez sucesso), ver o sorriso de felicidade, o alívio e contentamento estampado na cara dela por finalmente ter o seu canto. Alumia-me a vida.
E com isto tudo chegamos a Outubro. Hungria. Quatro dias de encanto. Museu ao ar livre, revi Budapeste e conheci o interior do país. Mas o melhor foram as companheiras de viagem. Gang da t-shirt branca!!! Sou “abandonada” no Bairro Alto, e isto sim foi muito importante este ano… a volta que deu, hahahahaha, foi mágico.
Novembro entro com dilemas, dou o braço a torcer. A vida começa de novo a fazer sentido, ou pelo menos eu torneio esse sentido. Mas está-se muito melhor. Blackbird. Ganho o epíteto de “fresca”.
E de Dezembro nem preciso falar. Safa-se mesmo o Ano Novo.
Fazendo assim um ligeiro apanhado até nem me posso queixar. Foi um ano e peras. E tanto que aprendi.
Para o terminar, uma série de jantares e festas para celebrar e comemorar todos estes acontecimentos. Começa hoje e só paro dia 23 de madrugada. E não, não me estou a queixar, porque, modéstia à parte, depois de um ano como este… eu mereço.

Despedida Cibernáutica

Ele: "moça de deus, dorme bem."

Eu: "madalena?"

Ele: "Não. Essa era de jesus."

Eu: "Ah pois era, ganda falha."

Ele: "A de deus não sei quem era.. se calhar eras tu."

Thursday, December 14, 2006

O canalizador

Ele: “ Achas que sim?? A gaja merece bem melhor.. O gajo é canalizador!!”

Eu: “E então? Que mal tem isso?”

Ele: “Por favor… Canalizador?? Isso é como viver com um ginecologista de canos.”

Eu e os meus amigos FP

Hoje constatei que tenho alguns amigos que são funcionários públicos. Essa tão apregoada profissão, da qual já tanto mal se disse, persegue-me. Estou a brincar, depois de melhor conhecer esta realidade tenho a minha opinião bem formada. Mas isso também não interessa agora para o caso.
A verdade é que tenho alguns amigos funcionários públicos, e acho que é por isso, que inconscientemente, me custa tanto trabalhar.
Isto porque, pensando bem, invariavelmente vai ser parte do meu dinheiro que lhes vai pagar o ordenado.
O drama, é que eu sei onde eles gastam o dinheiro. Que por vezes, a meu ver é muito mal gasto.
E parte-me o coração, ver a ser tão mal empregue o meu rico dinheiro que tanto me custou a ganhar e que me seria tão útil para as minhas futilidades.

Ás interessadas..

..atenção: nada de piadinhas com o título anterior.

Pro-Choice

Num país ao estilo “big brother” democrático, em que já nem o voto é secreto e onde a manipulação de mentes é tão explícita pelos mais poderosos, no meio de uma população extremamente envelhecida, que se deixa inocentemente levar pelo poder da retórica, onde o acto de pensar dá demasiado trabalho, e que por isso “é melhor seguir o que aquele senhor da televisão que fala muito bem disse, porque sim senhor, ele sabe”, vai-se alastrando de norte a sul, pela tão americanada chamada: cultura do medo.
Isto tudo, por causa da questão do aborto. Sim? Não?
Cada caso é um caso. Isso é ponto assente.
E se isto é um país democrático, temos de ter direito de escolha. Temos nós, mulheres, porque somos nós que levamos com as “consequências” de ter o direito à opção, se queremos ou não dar seguimento à gravidez, (obviamente, quando não desejada/planeada).
Por mais cuidados que se tenha, pode sempre acontecer um percalço, e cabe a nós, essa decisão.
Não compreendo o problema dos “superiores”, que enchem a boca para dizer Não, quando eles podem, se assim for caso disso, pagar um aborto em qualquer um outro país em que essa questão é uma opção.
Os jovens são o futuro. Como esperançosamente gostam muitos de alumiar os mais desfavorecidos como que a dar alento para que se manterem na luta por algo melhor, enquanto eles se refastelam com grandes manjares, os jovens com um “jardim infantil” atrás têm de deixar de comer para alimentar essas bocas e comprar os produtos (que são cada vez mais caros e em nada considerados como um bem essencial).
Com que direito põe e dispõe das nossas vidas tal comandantes diante do seu navio, se nem sequer nos conhecem nem têm participação activa no nosso dia-a-dia.
Falar é fácil, debaixo das luzes da ribalta com aquele sorriso ou olhar supostamente cativante como que a tentar conquistar a confiança de um gato selvagem, mas melhor ainda é o ar de desanuvio assim que as luzes se apagam e vira costas com o pensamento “ estes já cá cantam” enquanto na sua mente duas mãos se esfregam com contentamento.

Não é apenas uma questão de despenalizar. É dar alternativas, mas ao mesmo tempo fazer algo para evitar que se tenha de recorrer a essa opção. É apenas deixar uma janela aberta onde uma porta se fecha.
Obrigar as escolas a terem disciplina de educação sexual, terem até um departamento para os jovens poderem esclarecer-se individualmente, já que é um assunto visto ainda como tabu, podendo até depois essas questões serem abordadas como que “inocentemente” nessas mesmas aulas. Tanta coisa que se poderia fazer. Jogos didácticos, interactivos, já que estamos em plena era tecnológica.
Todos teríamos a ganhar se fosse visto como uma questão de direito de opção e não como algo demoníaco. Ao estilo de ser apedrejado em praça pública.
Mas pelos vistos não é em tudo que o Estado está separado da Igreja.

A/C VS Nívea

Ela a queixar-se do colega de trabalho.

ela – “não tenho pachorra para gajos mariquinhas”

eu – “ o que é que se passa?”

ela – “epa as vezes tenho mesmo a certeza que tenho um colega muita pateta. A última dele é de gritos, diz que não curte muito o ar quente do ar condicionado."

eu – “então?”

ela – “Ok, concordo que faz mal, mas a cena, é ele dizer com aquele ar piegas, que lhe faz mal à pele!! Disse-lhe que se quisesse creme nívea era só pedir.”

Wednesday, December 13, 2006

“Yah, para nós”

“Fui sair com uma gaja que levou um casal de homossexuais. Não tenho nada contra eles, mas aquela personagem era demais. Aquela vozinha e aqueles gestos..”, disse-me o Duarte quando o encontrei no meu caminho da estação de comboios.
“Até que se mete a contar a história do assalto. Fui assaltado. Roubaram-me o meu sinto de pele e as minhas cuecas fio dental, disse ele àquela sua maneira gestual.
“Fiquei espantado… cuecas fio dental? Para homens? Isso existe??, sabes o que ele me respondeu?
Yah, para nós!!”

Começei a rir, ao que, o Duarte vira-se para mim e me diz:

Duarte: "E não fica por aqui. Fomos a uma discoteca, assim que consegui afastei-me um bocado. Fui ao piso de cima. Quando olho para baixo, tá o gajo no meio da pista... a fazer flexões. Olha uma vergonha, é o que te digo..."

Desatei à gargalhada... inevitável

Monday, December 11, 2006

Despedida Outonal

O Outono, que agora tal como a Primavera se apresenta anualmente cada vez mais escasso, começou já as suas despedidas.
Tem estado umas verdadeiras noites antárcticas. O Inverno ainda não chegou mas já dá ameaços.
E as manhãs também não ficam aquém.
Constantemente corre aquela brisa gelada e seca que corta e enregela. Os movimentos tendem a entorpecer, e lentamente arrastamo-nos nas ruas tentando fazer um esforço para apressar o movimento para chegarmos o mais depressa ao nosso destino quentinho.
E por mais enchouriçada que esteja parece que nada é suficiente para me aquecer. De alguma forma o frio consegue penetrar e arrepiar a pele, congelando num segundo o que me custou tanto a aquecer.
Mas nos intervalos da brisa gélida o sol consegue impor-se e proporcionar escassos momentos de verdadeiro deleite com o seu calor a despertar cada sentido.
Pois é.. O Outono parece que se está a despedir. O Inverno está prestes, prestes a bater à porta.

Sunday, December 10, 2006

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,

O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

by Álvaro de Campos

Saturday, December 09, 2006

Talvez um dia

Se há dias que gostava de arrancar do calendário da minha vida, este é um deles.
Gostava de ter aquela máquina da memória que vi há uns anos no Men in Black, basta olhar, e com um click… voilà. Tudo melhora.
Não me vou alongar, porque tudo ou quase tudo o que tinha a dizer já foi dito, não aqui, mas em outros escritos e em conversas físicas. Não quero repetir-me por outras palavras. Aquilo que nunca disse, moo, e remo-o. Talvez um dia o diga.
Talvez um dia encontre a coragem para verbalizar a negritude dos pensamentos que me assolam ou que apenas me deixam triste.
Talvez um dia consiga passar não imune, porque isso é impossível, mas com mais tranquilidade este dia. Talvez um dia, consiga ultrapassar estes limites que me condicionam, impostos por mim, é certo, mas que não sei porquê, sinto a necessidade de passar por eles.
Talvez um dia eu consiga desligar o descomplicador.
Talvez um dia..

Always Everywhere

You turn off the light, kiss me good night
And mother, I know that I'm going to be alright
I just can't wait to grow up
Find my own life, be a good wife
And a smart one, I'm sure
I never took us for granted and I always knew
You and I are special
But I never knew how much I'd miss you
So much has changed and been rearranged
And I see that I've lost
What made me so young and incredibly strong
And never ever wrong
You were always there
Because you're always everywhere
I used to cry for no reason
And that's still the same
Except that I had adolescence to blame
But not now
Now I feel sad because I don't know what's true
And I miss thinking I could be just like you.
So much has changed and been rearranged
And I see that I've lost
What made me so young and incredibly strong
And never ever wrong
So much has changed and been rearranged
And I see that I've lost
What made me so sure that I could endure
How hard it is to lose and live again
And never understand
You are always everywhere
You're always there
You turn off the light, and kiss me goodnight
And mother, I know that I'm going to be alright

by K's Choice

Friday, December 08, 2006

Feliz Acaso

Lembro-me de o ver no meu tempo de secundária nos intervalos junto ao pavilhão D. Era pouco provável ele não dar nas vistas. Primeiro porque quem parava frente ao pavilhão D era normalmente os chamados gajos “bons”, embora não se enquadrasse nesse quadro, porque normalmente os gajos denominados de “bons” são sempre os mais convencidos, mas era giro, não passava ao lado, segundo, pela sua altura que não passava despercebida, e por um terceiro motivo que subitamente se me escapou do pensamento.
Mas lembro-me da sua presença, e lembro-me também de na altura ter a ideia de que era um bocado convencido. Talvez por estar sempre junto aos rapazes denominados de “bons”.
Tendo posteriormente cada um seguido o seu caminho, deixei de o ver durante uns tempos, um par de anos.
Por coincidência, ou qualquer coisa que se queira chamar, apercebi-me que volta não volta ele se encontrava com um grupo de amigos meus.
Confesso que foi com espanto que, das vezes que se contam pelos dedos, dos últimos quatro anos em que o vi, me fui apercebendo que aquela ideia pré-concebida que eu havia feito não correspondia de todo à realidade.
Fui, dessas ínfimas oportunidades em que convivi com ele, vendo que afinal ele era simplesmente o oposto de tudo, suscitando cada vez mais a minha curiosidade em relação à sua pessoa.
Quis um percalço da minha vida torna-lo num feliz acaso.
Numa noite, no meio do nada, apareceu-me à frente como que para me salvar. E assim foi.
Desde esse dia temo-nos encontrado. E a cada encontro eu descubro algo de novo nele, algo que me surpreende.
Em nada é convencido. Ideias fixas mas flexíveis. Sem se deixar levar por conversas. Contrariamente a muitos que têm necessidade de fazer algo perante o grupo de amigos para se afirmar, marcar uma posição, ele foi demarcando a sua pela tranquilidade da sua maneira de ser/estar. Justo no pensamento, correcto para com ele mesmo, sem pestanejar, impõe-se quando qualquer coisa ou amigo não segue os padrões normais.
Mas para mim, é indissociável no meu pensamento uma pequena imagem que tenho dele, em pé, junto ao pavilhão D, de gorro na cabeça, mãos nos bolsos e a olhar para o lado. È a melhor imagem que o descreve. Descontraído mas atento. Abstraído nos seus próprios pensamentos mas sempre presente. Alguém na constante procura de algo que ainda vai chegar. No fundo ele é assim.
Para mim... simplesmente, um feliz acaso.

Thursday, December 07, 2006

Não há nada melhor..

.. que uma tarde ( e quem diz tarde diz manhã, noite ou mesmo dias) em casa da minha melhor amiga com uma boa garrafa de vinho e afins. Falar das coisas mais banais ou não, sem medo de proferir as palavras, sem receio que qualquer palavra fora de contexto possa magoar quem quer que seja.
Hoje é um desses dias.
Tendo ela tirado o dia, eu também semi tirei o meu. Portátil ás costas, pus-me a caminho do seu reduto e juntei o (in)útil ao agradável.
E aqui estamos. Na nossa unidade tão nossa característica. E melhor que isto… duvido.

Wednesday, December 06, 2006

Reencontro

Confesso que me havia passado pela cabeça em uma ou outra situação, sem que tivesse dado demasiada importância, a possibilidade de provavelmente não conseguires manter o nosso pacto. Mas estava enganada.
Voltamos a nos encontrar. Uma semana depois, no sítio de sempre com os ingredientes do costume, ali estávamos os dois como se nada alguma vez tivesse passado.
Quando me disseste que não poderias ficar até muito tarde, passou-me pela cabeça a hipótese de achares que o reencontro se iria tornar em momentos de silêncio incomodativo ou algo assim parecido. Mas não. Foi completamente o oposto.
E como de todas as outras vezes, rimos e falamos das coisas mais banais a assuntos mais sérios. Houve uma ou outra troca de olhares mas bastante tímidos e refundidos, mas a nossa essência mantém-se. Ainda lá está.
Sinto-me mais leve. Mais leve porque constatei que afinal, apesar do nosso contratempo, continuamos a ser aquilo que sempre somos quando estamos juntos.

Será esta a justificação?

Eu tento. Eu esforço-me. Tenho tentado fazer tudo ao meu alcance com a finalidade de poder dar-me um pouco de paz de espírito. Até agora tenho conseguido. Claro que tive de dar o braço a torcer, a mão à palmatória, engolir o meu orgulho, dar o primeiro passo para remendar um dos desgostos que me tem assolado. E tenho conseguido. Não me posso queixar.
Mas há momentos de fraqueza. E hoje, durante um curto espaço de tempo, foi o que aconteceu.
Talvez o facto de ter caído na fragilidade do momento em que encontrei umas folhas soltas enquanto procurava algo que me tinham pedido para tentar localizar numas gavetas, me tenha feito aperceber que, se calhar, até há coisas que se explicam.
Tendo o meu padrão de amor desmoronado de um momento para o outro, abandonei de vez todas as crenças possíveis e imaginárias em relação a esse tema.
Não estando apaixonada, embora seja eu a única que insista em bater na mesma tecla enquanto há minha volta todos insistam no contrário, acabo de me aperceber que talvez, seja por aí o meu estado descontraído com tudo o que me aconteceu nos últimos dias.
Mas estou encantada, o feitiço mantém-se. Mas não estou apaixonada, porque pelos vistos ainda estou magoada. Porque ter passado os meus olhos por aquelas folhas soltas fez-me voltar atrás no tempo. Mas consegui evitar meter o dedo na suposta sarada ferida e escarafunchar, mas andei lá perto.
E assim, ganho a consciência de que possivelmente é essa a razão de toda esta quase que indiferença isenta de sentimentos.

Tuesday, December 05, 2006

Há coisas que não se explicam

Por mais voltas que tente dar, por mais que procure uma razão ou um motivo (se é que tem de haver algum) eu não o consigo encontrar.
Atiraste-te mesmo de cabeça, disse-me a minha melhor amiga quando finalmente ao fim de dias consegui ficar a sós com ela para lhe contar os pormenores da minha “frescura”.
Por mais que tente explicar-me quer seja a ela ou a mim mesma a verdade é que não consigo encontrar nada de concreto para dizer. A bem da verdade ainda nem parei para pensar, se é que há algo para pensar.
Se é plausível que não devemos deixar nada reprimido, e seguindo essa mesma linha de raciocínio, se é que tem algum fundamento concreto, é talvez, justificável, ou não, que tenhamos levado a nossa avante.
Embora tenha sido um consenso mútuo pelos intervenientes que, afinal de contas talvez devêssemos ter deixado reprimir, nunca o saberíamos se não tivéssemos seguido em frente.
Excepto esse pequeno ponto, em mais nada eu consigo pensar, nem expressar muito menos explicar. Apenas oiço. Escuto num silêncio inócuo e absorvo o que me é dito na expectativa de conseguir criar um fio condutor, capaz de me fazer ver para além daquilo que desde então tem sido, apenas aquilo que foi, sem nada mais adjacente.
Pequenas manobras de diversão, que talvez não tenham tido assim tanta piada quanto isso, ou que talvez tenha sido suficiente para me abrir os olhos para tudo aquilo que a vida ainda me tem para oferecer. Embora por enquanto eu ainda não consiga atingir esse patamar.
Estou bem comigo mesma, de consciência tranquila, sem remorsos nem arrependimentos.
Claro que há sempre “ses” e independentemente do caminho que escolhemos para responder a um “se”, infindáveis becos daí irão advir para a um outro sem número de “ses” que em constantes marteladas cerebrais nos perseguem na incessante busca dessas respostas. E contrariamente a tudo aquilo que sempre fui, nem nessa doentia e paranóica busca eu consigo colocar-me.
Sim. A minha melhor amiga tem razão. Atirei-me de cabeça. Acho que pela primeira vez em anos cometi a loucura de seguir em frente sem um pingo de frieza e deixei-me ir sem pensar em consequências. Irracionalmente, se é que assim o podemos chamar, permiti-me ser levada, sem razão nem noção. I went with the flow. Mas não me afoguei. Surpreendentemente para todos, principalmente para quem melhor me conhece, em nada esta situação impar me afectou.
Talvez existam realmente coisas que não se devem explicar, e se há bens que vêm por mal ou males que vêm por bem.. bom, a isso só o tempo pode responder.

Modernices

Quem acha que o telemóvel serve apenas para fazer chamadas, devo anunciar, de acordo com o meu ponto de vista que está enganado. Com um telemóvel na mão é possível fazer das coisas mais inacreditáveis.

Ela: “ Lembras-te daquele meu amigo com quem tenho saído ultimamente?”

Eu na minha ingenuidade: “ Claro que sim, o Luís não é?”

Ela: “ Exactamente. Esse mesmo. Pois é, olha, diz que aconteceu uma queca.”

Eu: “ Wow!! Vais ter de me contar essa história muito bem contada! Como é que isso aconteceu? ”

Ela: “ Aconteceu. Por mensagens!”

Eu: “ Desculpa? Vocês combinaram uma queca assim.. por mensagens de telemóvel?”

Ela: “A-hã!! Começamos a trocar mensagens e quando demos por nós estávamos a combinar uma queca.”

Eu: “ Uma queca? Por mensagens? Realmente, estes tempos são decididamente outros!”

Monday, December 04, 2006

As luvas

Um grande amigo que já não via a alguns meses combinou um café comigo e lá fui eu fresca e fofa matar saudades.

A falar com ele, reparo que tem um belo corte redondo numa das mãos.

eu – “Grande corte que tens aí na mão..”

ele – “ Pois.. Comecei agora um curso, é muito prático, electricista e coisas desses género."

eu – “ Sim, ok, mas como fizeste isso?"

ele – “ O professor mandou-nos fazer uns tubos em cobre. Peguei nas ferramentas e quando fui cortar, olha, cortei a mão.”

eu – “ Sim senhora, grande brincadeira que tens aí. E depois?”

ele – “Depois? Depois olhei à volta e fiz como o resto da turma.. calcei as luvas.”