Há coisas que não se explicam
Por mais voltas que tente dar, por mais que procure uma razão ou um motivo (se é que tem de haver algum) eu não o consigo encontrar.
Atiraste-te mesmo de cabeça, disse-me a minha melhor amiga quando finalmente ao fim de dias consegui ficar a sós com ela para lhe contar os pormenores da minha “frescura”.
Por mais que tente explicar-me quer seja a ela ou a mim mesma a verdade é que não consigo encontrar nada de concreto para dizer. A bem da verdade ainda nem parei para pensar, se é que há algo para pensar.
Se é plausível que não devemos deixar nada reprimido, e seguindo essa mesma linha de raciocínio, se é que tem algum fundamento concreto, é talvez, justificável, ou não, que tenhamos levado a nossa avante.
Embora tenha sido um consenso mútuo pelos intervenientes que, afinal de contas talvez devêssemos ter deixado reprimir, nunca o saberíamos se não tivéssemos seguido em frente.
Excepto esse pequeno ponto, em mais nada eu consigo pensar, nem expressar muito menos explicar. Apenas oiço. Escuto num silêncio inócuo e absorvo o que me é dito na expectativa de conseguir criar um fio condutor, capaz de me fazer ver para além daquilo que desde então tem sido, apenas aquilo que foi, sem nada mais adjacente.
Pequenas manobras de diversão, que talvez não tenham tido assim tanta piada quanto isso, ou que talvez tenha sido suficiente para me abrir os olhos para tudo aquilo que a vida ainda me tem para oferecer. Embora por enquanto eu ainda não consiga atingir esse patamar.
Estou bem comigo mesma, de consciência tranquila, sem remorsos nem arrependimentos.
Claro que há sempre “ses” e independentemente do caminho que escolhemos para responder a um “se”, infindáveis becos daí irão advir para a um outro sem número de “ses” que em constantes marteladas cerebrais nos perseguem na incessante busca dessas respostas. E contrariamente a tudo aquilo que sempre fui, nem nessa doentia e paranóica busca eu consigo colocar-me.
Sim. A minha melhor amiga tem razão. Atirei-me de cabeça. Acho que pela primeira vez em anos cometi a loucura de seguir em frente sem um pingo de frieza e deixei-me ir sem pensar em consequências. Irracionalmente, se é que assim o podemos chamar, permiti-me ser levada, sem razão nem noção. I went with the flow. Mas não me afoguei. Surpreendentemente para todos, principalmente para quem melhor me conhece, em nada esta situação impar me afectou.
Talvez existam realmente coisas que não se devem explicar, e se há bens que vêm por mal ou males que vêm por bem.. bom, a isso só o tempo pode responder.

0 comments:
Post a Comment
<< Home