A Realidade
Durante muito tempo ele foi alguém que eu gostaria de conhecer melhor. O que primeiro me chamou a atenção nele foi a voz. Inquestionável!! Com a voz veio tudo o resto. A maneira como fala, o sorriso, os olhos, a altura, enfim… basicamente, o package inteiro.
Nunca tal se havia proporcionado até uma noite de Outubro.
Até essa noite, raramente o via, os nossos caminhos andavam sempre desencontrados. Sabia por onde ele costumava parar mas jamais me passou pela cabeça invadir o espaço dele só por um capricho meu.
No entanto, assim que houve oportunidade, não a deixei escapar.
Entre reticências dei o primeiro passo, que foi positivamente bem correspondido. A partir daí nunca mais parou.
Em acordo de cavalheiros quase que diários, lá seguíamos para os nossos momentos, que por vezes quis que se prolongassem eternamente.
Hoje, já não anseio assim tanto pelos nossos encontros. Não sei se é só da minha parte, ou mútuo ou se é apenas uma fase.
Mas ainda não há muito tempo atrás queria que este momento nunca, jamais chegasse, e a realidade, é que chegou. Sem aviso prévio instalou-se e foi-se alastrando sem me aperceber. E estranhamente não estou triste, aborrecida nem deprimida ou qualquer outro sintoma/sentimento/emoção que supostamente deveria daí advir.
Pode ser verdade que, quem tudo quer, tudo perde. Embora ainda não esteja de todo perdido, ás vezes acho que não quero sequer tentar. E não é por mal.

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