Carta ao Futuro

Wednesday, December 06, 2006

Será esta a justificação?

Eu tento. Eu esforço-me. Tenho tentado fazer tudo ao meu alcance com a finalidade de poder dar-me um pouco de paz de espírito. Até agora tenho conseguido. Claro que tive de dar o braço a torcer, a mão à palmatória, engolir o meu orgulho, dar o primeiro passo para remendar um dos desgostos que me tem assolado. E tenho conseguido. Não me posso queixar.
Mas há momentos de fraqueza. E hoje, durante um curto espaço de tempo, foi o que aconteceu.
Talvez o facto de ter caído na fragilidade do momento em que encontrei umas folhas soltas enquanto procurava algo que me tinham pedido para tentar localizar numas gavetas, me tenha feito aperceber que, se calhar, até há coisas que se explicam.
Tendo o meu padrão de amor desmoronado de um momento para o outro, abandonei de vez todas as crenças possíveis e imaginárias em relação a esse tema.
Não estando apaixonada, embora seja eu a única que insista em bater na mesma tecla enquanto há minha volta todos insistam no contrário, acabo de me aperceber que talvez, seja por aí o meu estado descontraído com tudo o que me aconteceu nos últimos dias.
Mas estou encantada, o feitiço mantém-se. Mas não estou apaixonada, porque pelos vistos ainda estou magoada. Porque ter passado os meus olhos por aquelas folhas soltas fez-me voltar atrás no tempo. Mas consegui evitar meter o dedo na suposta sarada ferida e escarafunchar, mas andei lá perto.
E assim, ganho a consciência de que possivelmente é essa a razão de toda esta quase que indiferença isenta de sentimentos.

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