Carta ao Futuro

Thursday, January 04, 2007

Balanço dos três primeiros dias do ano

Ás vezes não sei se faço demasiados filmes, se é apenas constatação da realidade mas que tento iludir não dando azo a que se desenvolva, ou se sou eu muito convencida a achar que tudo gira à minha volta.

Isto porque não tenho certezas, e apenas analiso com aquilo que me rodeia, com aquilo que vejo, que nem sempre significa que é aquilo que estou a constatar.
Como não tenho a possibilidade de confirmar pelo menos três vezes junto de pessoas diferentes, resta-me apenas jogar com as peças de que disponho, adquiridas pela minha convivência com as pessoas em questão.

Isto por que ontem fiquei com a sensação de que um vizinho meu está a dar em cima de mim. Pode até não ser, pode até ser eu a imaginar, mas a verdade é que volta não volta ele manda-me daqueles olhares fixos, e ontem, convidou-me para ir beber um copo com ele depois do trabalho. Que se não o encontrasse no Messenger (para quê gastar dinheiro ou sair de casa para ir tocar à campainha no meio do frio, se com estes avanços tecnológicos podemos tratar de tudo a partir de casa ?!?), que lhe mandasse um toque para o telemóvel.

Depois temos o caso do meu amigo dos olhos intensos. Mas esse está num pedestal. É daqueles que tem uma redoma de vidro à volta e eu paro apenas para contemplar, babar e sonhar. No fundo sei que é areia demais para a minha camioneta, e se saísse com ele à rua, devo confessar que iria haver problemas. E eu não estou para me chatear. Não obstante, estou à espera de o voltar a encontrar, o que pode demorar anos, para saber uma sua opinião. Terminamos a conversa com ele a dizer: “Depois digo-te o que achei.”

E o regresso do meu amigo noctívago. Que enfim. É sempre aquele encanto, embora um pouco mais desvanecido. Mas que volta não volta, tal Aladino a esfregar a lâmpada, ressurge por instantes. E ninguém sabe o que o futuro reserva.

Uma amiga disse-me que este iria ser o meu ano, que iria ser em grande para mim. Não percebo porque o diz, nem em que se baseia. Mas pelos primeiros três dias deste novo ano, devo confessar que acho que sim, será o meu ano de dor de cabeça.

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