Refúgio
Ultrapassa-me e eu tento fazer um esforço, que ás vezes mais parece uma obrigação. Não consigo. Ao mesmo tempo que tento sinto uma revolta interior de gritar. De estrilhar. Desatar a partir tudo o que me aparece a frente. É escusado falar, porque nunca passarão de meros monólogos disparados contra uma parede.
A mais pequena coisa, gesto ou frase proferida mesmo que de modo inocente dilacera-me espalhando esta raiva controlada por tudo o que está à minha frente.
Não choro. Essa fase já lá vai. É mais que dispensável. Até porque não me leva a lado nenhum. Estou num outro nível.
Sendo assim volto para o meu único refúgio. Fujo da realidade. Escondo-me com aquilo no espaço em que sei que nada me afectará.

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