Preciso de acção na minha vida. Não gosto muito de ficar parada porque acabo sempre por pensar, perco sempre tempo com pensamentos desnecessários que por vezes não me fazem muito bem. Institui em mim a obrigação de acção. Constante movimento. Tornar-me útil.
Mas a actividade é sempre a mesma. A rotina não muda. Ontem apercebi-me disso, no regresso aos passeios canídeos nocturnos com o vizinho que regressou da “terrinha” após as férias pascais.
Quando me perguntou como foram os meus dias e lhe respondi os mesmos de sempre não precisei abrir mais a boca. Foi só ouvi-lo falar das aventuras que tivera nesta última semana.
Quero misturar-me com pessoas, ir para o meio da confusão, inundar-me de mil e um sons de rotinas alheias, descobrir novidades, aventurar-me.
Como eu queria ter um tapete voador.
Tirava a tarde e ia surfar o vento, misturar-me com as nuvens. Ia ver o mundo de cima na sua bucólica rotina.
Ia pairar sobre o mar, lagos e montanhas, pousar no topo de um qualquer castelo ou palácio.
Voava sobre o Guincho, Sintra até ás Berlengas ou aventurava-me mais longe, sem direcção.
Se tivesse um tapete voador, esta tarde seria minha, não entregaria o meu precioso tempo nas mãos do chefe. Partiria para pelo menos por umas horas, mudar a minha rotina.