Carta ao Futuro

Tuesday, April 03, 2007

Esperança na comédia de deus

Toda a gente conhece o Mário. Andar pelas ruas da Baixa é quase o equivalente ao seu nome. É fácil encontra-lo naquelas ruas, sozinho, de semblante tímido, a olhar para o chão com os headphones postos a calcorrear as históricas ruas.
Todos o conhecem mas ele não conhece ninguém. Quando passa desperta surpresa e admiração aos transeuntes com quem se cruza. Ele não repara em ninguém. Mas ele não é de todo indiferente com quem se cruza.
A Alice estava na Baixa. Andava de um lado para o outro distraída na conversa que estava a ter quando alguém tropeça nela.
Ela pára e olha para o lado. Era o Mário. Timidamente incomodado ele levanta os olhos do chão, concentra-se nos dela criando um silêncio momentâneo. A Alice, completamente apanhada de surpresa não se mexe, congelada pelo olhar daquele homem que tanta curiosidade lhe desperta.
Nada dizem. Ele vira-se, olha para o chão e segue o seu destino.
Ainda baralhada pela insólita situação, ela fica parada a tentar realizar o que acabara de se passar, e constatou que pela primeira vez vira os olhos do Mário, e que por momentos, foram inteiramente seus.

0 comments:

Post a Comment

<< Home