Palavras por dizer
Não suporto o desprezo nem ser ignorada. Não gosto de ser apanhada desprevenida sem recurso a uma justificação. Não tolero comportamentos infantis numa suposta de “crescidos” situação. E pior que as palavras não cumpridas porque são muitas vezes inconscientes consequências do momento, repudio a ausência das mesmas quando são mais necessárias que o imposto silêncio.
Estou zangada comigo mesma por ter feito a suposição, por quase ter acreditado que ao fim de tanto tempo eu não tinha razão.
E dei mais do que me era permitido e disse o que a mim mesma tinha imposto como proibido, ultrapassei-me, mas talvez não o suficiente.
Mas não fugi, não me escondi. Esperei por uma resposta que chegou quase como uma obrigação. Magoou-me a falta de coragem em outras vezes bem demonstrada. Feriu-me constatar que a imagem que criara de tudo o que me tinha sido apresentado parecia mais uma encenação barata.
Quando o choque passar, nada disto voltará a ter qualquer significado.
Nada.

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