Os Édipos de hoje em dia
A Sílvia queixa-se do seu chefe, que parece não conseguir fazer nada sem ela. Ela deixa o seu trabalho em stand-by para dar apoio ao chefe que tem um problema em mãos mas que parece não o consegue resolver. Acaba por fazer o trabalho do chefe, que só tem mesmo o cargo.
A Carolina lamenta-se do marido. Gasta o dialecto a mostrar-lhe como se fazem e como são as tarefas domésticas, para no dia seguinte o voltar a repetir. Até os meus filhos aprendem mais depressa, murmura ela em tom de conforto.
O pai da Vera não se mexe. Pede à filha para tratar dos seus problemas porque ele não tem tempo.
Não importa o grau de relacionamento que se tenha com o género masculino, eles sempre virão em nós, mulheres, a Jocasta.
Somos, a mulher, como mãezinhas para eles. O prolongamento da sua infância. Têm de ser diariamente ensinados e relembrados como animais de estimação.
Se por acaso, fazem algo sozinhos, sem ajuda feminina, celebram e rejubilam-se como se a sua equipa de futebol tivesse ganho a Liga dos Campeões. Mas é efémero. No dia seguinte, estão amnésicos, já nada sabem, de nada se lembram.
Talvez nós também sejamos culpadas por em parte, prolongarmos a situação, seja porque motivo for: a Sílvia porque é o seu trabalho e precisa do dinheiro no final do mês; a Carolina porque é casada e tem filhos as responsabilidades são outras e a Vera porque os amigos nós escolhemos, a família aturamos.
E vai-se arrastando, é uma “pecadinha de rabo na boca” que mais tarde ou mais cedo, acabará por rebentar.
‘Pá merda com a antropocracia.

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