Carta ao Futuro

Thursday, June 28, 2007

Principezinho - II

O Principezinho voltou a aparecer. Por entre a ventania que se fazia sentir na floresta, o menino de cabelo encaracolado insurgiu por entre as árvores. O seu traje habitual denuncia-o à distância e ali estava ele com o seu olhar meio perdido por entre as inúmeras cabeças que o observavam a movimentar-se.
Eu estava ali. À frente, primeiro que todos a contemplar cada pormenor o ínfimo detalhe do seu ser.
Ouvia a sua respiração por entre o murmúrio circundante e imaginava o seu pensamento naquele momento em que ele era o epicentro do turbilhão.
Ele não se mexia. Mas os olhos, esses, irrequietos, movimentavam-se num frenesim.
Não me mexi. Estagnei perdida naquela imagem inocente e pura.
Pôr em palavras, seria injusta pela escassez de um vocabulário, que embora seja dos mais ricos, não é ainda suficiente para transcrever os arrepios de magia que naquele menino estão inerentes.

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