Principezinho
Do meio da floresta, por entre os grandes eucaliptos que a rodeavam ela viu surgir um rapaz.
Com o casaco comprido azul seco com enormes botões amarelos que lhe adivinhavam as linhas masculinas do seu corpo o rapaz de cabelo castanho claro encaracolado sorriu.
Que sorriso. Sorriso de menino. A inocência de uma criança retrata-se naquele sorriso contrastado com a barba que lhe esconde a cara.
Era o Principezinho. Ela tinha a certeza.
Tinha crescido. Estava mais velho. Mas a sua essência continuava lá. Não se havia perdido como é normal acontecer com o crescimento.
A mesma simplicidade, a curiosidade, a dedicação e a entrega. O seu olhar brilha por se encontrar ali. Afinal está em casa.
E absorta na imagem que tem à sua frente, ela gostava ter como registar o momento. É aí que se lembra da lição que ele lhe havia ensinado anos antes: “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.”
Deixou de fazer sentido o desejo de querer tornar aquele momento eterno. Já o era. E é só dela.

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