Carta ao Futuro

Monday, July 30, 2007

Onde está o erro??

Combina-se em casa do César ás 11h para irmos para a barragem. Fui a primeira a chegar. O César com ar de quem adormeceu corre pela casa a arrumar as coisas. Escolhe uns óculos de sol, faz do micro-ondas espelho e admira a sua figura com os óculos enquanto com os dedos dá jeito ao cabelo.
De lado, eu sorrio a admirar tal imagem. Ele apercebe-se.
- Acho que sou um bocado vaidoso.
- Sim, já me apercebi. Mas não faz mal. Conheço casos “piores”.. isto é.. também te depilas?
- Claro. – E levanta a t-shirt mostrando-me o tronco – Sabes que mais.. acho que vou tirar estes pêlos agora.
E sai da cozinha para aparecer segundos depois com a máquina de barbear para tirar aqueles pêlos pequenos que tinha no peito.
Ao reparar no “matagal” em que estavam aquelas axilas perguntei-lhe:
- Queres ajuda para fazer debaixo dos braços?
Olha para mim com um ar de chocado e diz enquanto vira costas para ir acabar de se arranjar:
- Não sejas parva.

Monday, July 23, 2007

Floresta encantada

Na minha floresta encantada desloco-me de tapete voador. Refugio-me na minha casa-da-árvore pintada de mil cores. Iluminada por bolas de salão reflectidas em arco-íris, pintalgada com lagoas, riachos e cascatas habitada por unicórnios, duendes, cisnes e fadas.
Na minha floresta encantada basta pensar e consigo voar, alumiada de noite por pozinhos mágicos em conversas telepáticas percorrendo sonhos e fantasias de uma verdade desmedida. Mágica.

Tuesday, July 17, 2007

Sometimes

Ás vezes acho que não vale a pena falar.
São várias as pessoas que me dizem para o fazer, para não guardar dentro de mim, não deixar a remoer.
As palavras quando ditas por mim perdem o sentido. O seu significado é o oposto dos meus actos e por isso é à partida um caso perdido.
Não me importo de ser julgada se logo à partida não sou respeitada onde as palavras que me deveriam defender são a arma para me combater.
Indiferente e distante, é o estado em que acabo por me encaminhar, é por isso ás vezes acho que não vale a pena falar.

Monday, July 16, 2007

Tenrinhos

“A Paula está doente? O que é que ela tem?”

“Cospe-se toda. De manhã à noite.”

“Coitada. Como foi ficar assim?”

“Segundo ela foi o seu respectivo que antes dela esteve super apanhado.”

“Troca de fluidos dá nisto.. depois queixam-se”

“São uns tenrinhos!!”

Misturas..

‘Então Paulo, essas férias, foram boas?’

‘Excelentes. Passei o último dia no hospital.”

‘Então?’

‘Decidimos ir à piscina depois da borga. Via três em vez de uma.. atirei-me para a errada.’

Tuesday, July 10, 2007

Maravilhoso

A noite já ia alta e eu já estava deitada. O telemóvel toca. SMS. Era ele, o rapaz da voz encantada. Queria saber se queria ir beber qualquer coisa.
Saltei da cama, voltei a vestir-me e desci ao seu encontro.
Enquanto ele nos guiava para o nosso spot ia sendo invadida por um enorme contentamento interior.
O lugar estava igual a sempre. Nada mudara. As horas foram passando a conversa ia fluindo intercalada com gargalhadas.
Calei-me a olhar para ele a ouvi-lo falar. Voltei a encantar-me por momentos perdendo-me nas curvas do seu rosto.
Estou contente. Contente por as coisas não terem resultado entre nós.
É maravilhoso tê-lo como amigo.

Monday, July 09, 2007

Tropeção

Sonhei há uns dias que tropecei e fui amparada por um amigo meu que me agarrou e me beijou.
Descambou tudo. Agora receio encontra-lo e sei que não o poderei evitar. Afinal de contas ele não tem culpa nenhuma do meu sonho.
Nunca o vi para além de um amigo, independentemente de nos darmos muito bem e de ele até ter alguma atenção especial para comigo em certas ocasiões. Mas é isso que os amigos fazem, certo?
Sei que evitarei olhar para ele e que estarei atenta a todos os meus passos para não tropeçar. Qualquer coisa que ele faça vou dar por mim a associa-lo ao sonho.

Medida para evitar tropeçar: olhar atentamente para o chão antes de dar ordem ao cérebro para movimentar a perna esquerda um passo em frente.
Confirmar três vezes, se a perna que estamos a levantar é mesmo a esquerda e não a direita.
E fazer isto o mais rápido possível para não dar imagem de “alguma coisa estar errada”.
Procurar estar concentrada, entretida com qualquer coisa, e sobretudo, evitar a todo o custo um ataque de riso à frente dele.

Festas

Ás vezes acontece apanharmos conversas engraçadas.

“Então, como foi a festa da faculdade? Dançaste de mão dada a alguém algum slow??”

“Colegas, profs, alunos, tudo junto a dançar.. quer dizer, a fazer o comboio..”

“Ahahahahah”

“Professores e alunos todos à mistura. Música que enfim.. no comments. Nós, olha.. levantámos os braços, abanámos o rabo, e pronto, já fiz a minha parte. Saí dali e fui para o Bairro.”

Momento

Onde não esperava encontrar ninguém conhecido cruzei-me com o grupo todo do passado. Do mais informal ao mais íntimo todos unidos como tem sido sempre. Mas alguém se destacou. Alguém que não reconheci e ao qual tive de ser alertada para a sua presença.
Fi-lo virar-se para trás e quando me reconheceu envolvemo-nos no nosso abraço apertado. E apertei contra mim sentido a força oposta no atrito que não queria largar.
Revi numa fracção de segundos todos aqueles nossos momentos que naquele longo e efémero instante confortaram cada inquietação das dúvidas que construí desde a definitiva separação.

Demais

Tenho tido “queda” para gajos mais novos que eu. Aceito isso, agora há limites. Surpreendeu-me, foi ser “vítima” de alguém que tem queda por gajas beeem mais velhas.

Ele: Olha, já tenho quase 18 anos.

Eu: Pois é, já não falta muito. Vai ser festa até ás tantas..

Ele: Não sei, nessa altura já recomecei as aulas.. Mas depois já podes aproveitar. 18 anos, solteiro, LEGAL.

É preciso..

..coragem para confidenciar o rol de pensamentos que tem vindo a perturbar-me nos últimos tempos.

Dunno

Há situações com as quais não sei lidar, talvez ainda não as tenha realmente ultrapassado apesar de no fundo acreditar que já as aceito.
Deixam-me apática e indiferente, sem tema de conversa nem reacção. Deixam-me aparentemente sóbria sem expressão enquanto por dentro explode o turbilhão.
Luto para não ceder, para me manter constante, em alerta, de pé atrás com o pensamento que se poderá suceder.

Sei..

.. que tenho de melhorar algumas coisas em mim, assim como sei que nos últimos tempos me tenho esforçado imenso para ultrapassar limitações que me faziam anteriormente esconder.
Esta mudança não é fácil. Enfrentar fragilidades para o deixarem de ser tem me feito ver realidades para as quais talvez não esteja ainda preparada.
Demorei meio dia para pronunciar uma delas, e menos de duas horas para denunciar outra ainda. A verdade, essa, pudera, vai demorar, até me sentar à frente de alguém que está à espera para me escutar.
Coragem, essa não arranjo, nem com outros esquemas adjacentes e assusta-me a ideia de jamais os conseguir encarar e omiti-los para sempre.

Dias surpresa

Gosto de dias surpresa. De dias que começam banais e à medida que vai passando é como abrir um constante presente.

Tuesday, July 03, 2007

Depois..

.. da nossa conversa nocturna fui invadida por uma bolha der confiança e mais um afinco na mágica amizade que temos construído.

Monday, July 02, 2007

Mas o melhor, melhor..

.. é que agora quando atravesso o carreirinho ladeado de enormes pinheiros e sons da natureza e me apetece olhar para cima para sentir o sol a bater-me na cara, não tenho de me preocupar em levar com dejectos de pombos nos olhos.. Os óculos protegem e ainda me permitem contemplar a aureola solar.

Óculos de sol

Adquiri finalmente uns óculos de sol. Não em primeira-mão, mas ao fim de anos, encontrei um par que mais ou menos se ajusta ao meu gosto e aos meus contornos faciais.
Hoje andei a passeá-los na rua, a caminho do trabalho. E confesso que é estranho, foi uma experiência estranha.
Com os headphones ligados onde ninguém consegue perceber para onde estou a olhar, sentia-me, enquanto andava a abrir e a fechar a boca a acompanhar a música, senti-me por momentos dentro do “Saturday Night Fever” com aqueles propósitos. Não fosse um pequeno senão.
Com eles postos (os óculos) sinto-me mais baixa. Parece que não tenho pescoço, as pernas encolhem e tenho a percepção que tudo à minha volta é maior.
Fiquei intermitente, quando tive de subir o primeiro passeio. O degrau parecia enorme, gigante, e pensei que não fosse conseguir elevar o suficiente a perna para o subir.
Quando o primeiro lance de escadas me apareceu pela frente, parei e comecei a descer devagar com medo que o pé falhasse e fosse por ali abaixo aos trambolhões.
É estranha esta nova visão sob o efeito dos óculos de sol. Tudo mais escuro e em ponto grande.

O meu eu explica

Há várias explicações para os sonhos, tudo depende da vertente que lhe queiramos dar ou da interpretação que melhor se encaixe à nossa realidade.
Não percebo nada disso e o Freud já cá não está para me iluminar, de certo seria algo que ele saberia explicar.
Apercebi-me que um dos meus últimos sonhos, que não são muitos por isso é fácil de me lembrar dele, acabou por se realizar.
Foi um sonho mais elaborado, metafórico, que me levou algum tempo a conseguir decifra-lo.
E vi-o. A acontecer à minha frente, em dois actos distintos, onde do último eu nem sequer fui interveniente. O meu inconsciente estava mais que certo, sempre de olho aberto quando estou a dormir.

Caixa de Pandora

Aparentemente tudo estava mais que perfeito. Os dias corriam como planeado, ás vezes até mais do que era esperado.
Uma nova visão de abordagem da vida, uma vontade de mudar, só para ver se do outro lado não haverá algo melhor.
Mas as mudanças são muitas e a caixa de Pandora está aberta soltando sem importância cada vestígio perdido que procura agora o seu sentido.
Não há capacidade de reacção e não sabe bem como (re)agir, deambulando de noite, estoirando-se durante o dia, entupindo-se de fumo, afogando-se em líquido.
Irrequietação. Onde o estar parado é um regresso ao passado de memórias enxovalhadas da caixa de Pandora.
Sentir-se sem destino, onde quer que seja o seu esconderijo, tudo porque decidiu encarar cada intrínseca razão de vários atrofios.

Sunday, July 01, 2007

Song of these days

Who Cares

Did you ever wake up in the morning
With a freight-train running through your head
An empty whiskey bottle by your pillow
And a burned out unfinished cigarette
The night went up in smoke
Life is but a joke man
But I see nobody laughing

Did you ever live a day
Like the next day would never come
Blood's dripping on the floor, but who cares
Who needs you anyway
You're a stranger to yourself
And this ain't no joke man
But I can't stop laughing

Greedy, angry people make me
Run around in circles backwards
Down the lonely road that keeps me
Run around in circles

How I want to try again
Excuse me can you lead me
I just want to try again
Excuse me can you lead the way

Just take me by the hand
How I want to

Did you ever find yourself drowning
In a dark and crowded bar
The barman keeps on pouring and you're kissing everyone
The night will never end
'Cause my horse is still saddled up
That's why I am still laughing

by Anouk