Carta ao Futuro

Monday, July 02, 2007

Óculos de sol

Adquiri finalmente uns óculos de sol. Não em primeira-mão, mas ao fim de anos, encontrei um par que mais ou menos se ajusta ao meu gosto e aos meus contornos faciais.
Hoje andei a passeá-los na rua, a caminho do trabalho. E confesso que é estranho, foi uma experiência estranha.
Com os headphones ligados onde ninguém consegue perceber para onde estou a olhar, sentia-me, enquanto andava a abrir e a fechar a boca a acompanhar a música, senti-me por momentos dentro do “Saturday Night Fever” com aqueles propósitos. Não fosse um pequeno senão.
Com eles postos (os óculos) sinto-me mais baixa. Parece que não tenho pescoço, as pernas encolhem e tenho a percepção que tudo à minha volta é maior.
Fiquei intermitente, quando tive de subir o primeiro passeio. O degrau parecia enorme, gigante, e pensei que não fosse conseguir elevar o suficiente a perna para o subir.
Quando o primeiro lance de escadas me apareceu pela frente, parei e comecei a descer devagar com medo que o pé falhasse e fosse por ali abaixo aos trambolhões.
É estranha esta nova visão sob o efeito dos óculos de sol. Tudo mais escuro e em ponto grande.

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