Fughetta
O cerco estava a apertar-se. Com a pressão circundante quase a sufocar juntamente com questões interiores que se iam acumulando, era como estar dentro de um balão de ar prestes a explodir.
A decisão foi difícil de tomar. Analisar prós e contras, independentemente da vontade há sempre princípios e limitações exteriores inerentes e equacionar as várias possibilidades que poderão advir. Medido o grau de risco e após decidido a longitude a que se estava preparado para alcançar, para o bem e para o mal, a pequena fuga teve início.
Em minutos que sobram contados por uma mão a mala estava pronta. Roupa atirada, enxovalhada sem qualquer ordem para dentro do saco e estrada.
A pressa de chegar é igual à de partir. Desaparecer. Fazer com que aquela vida faça sentir saudade ao invés do consumo abusivo, excessivo de dedicação e de fervilho a cada altura em que essa obrigação é precisa.
Custa deixar para trás quem faz parte do ser que tem sido vítima da proximidade criada servindo malvadamente tratada como saco de pancada. Agarrei a oportunidade e há tantas iluminações cujo tempo tem enegrecido, que talvez a distância permita reavaliar, clarificar.

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