Carta ao Futuro

Tuesday, August 21, 2007

Olhar para a Sofia é não reconhecer uma vida. Não que não saibamos que existe mas já em nada é o reflexo de mais de meio século de existência.
Agora que é a altura do seu descanso a guerra acabou de rebentar. A batalha começa com torpedos arrasadores. O reflexo do que foi uma era continua espalhado pelas inúmeras fotografias de família espalhadas pelo seu bunker. Mas não será suficiente no futuro, onde passarão apenas a ser folhas de papel coloridas com caras sorridentes, em grupo ou isoladas de uma vida que se tornará longínqua e inexistente. As memórias não poderão ser resgatadas.
Haverá o presente e os objectos que a rodearão, mas não terão qualquer significado. Os dias deixarão de existir porque não terão significado. Será apenas a existência de um ser multicelular onde o acumular de experiências e vivências serão uma nulidade no vácuo da sua significância.
O seu corpo já não é a sua pessoa. No seu rosto a pele acompanha o osso da caveira. Não há espaço para carne nem para identidade.
E a sensação de impotência é gigante.

0 comments:

Post a Comment

<< Home