Carta ao Futuro

Friday, September 28, 2007

This fire, is out of control

A casa de praia está a arder. As chamas reacenderam, depois do último incidente ter sido dado como extinto. O rescaldo, esse, que tinha sido dado como garantido pegou mais uma partida. Esperou pacientemente até que as condições estivessem novamente reunidas e impeliu num calor irrespirável por tudo o que o rodeava. Sem pedir licença, ateou em chamas ardentes os pedaços que ainda não tinham sido concertados e destruiu em doces crepitares ao ouvido o que tinha sido reconstruído desde o último incêndio.
Do lado de fora, só é permitido assistir à dança incandescente do fogo que procura oxigénio para respirar. Não se pode fazer nada. Apenas dar espaço e assistir na primeira fila na expectativa de um dilúvio ou algo semelhante capaz de apaziguar a desarmonização que desarma em impotência qualquer movimento intentado para cooperar.
Ao longe, é a destruição de anos de histórias, momentos, guerras e vitórias.
É o porto de abrigo a desmoronar, sem razão nem sentido. Pelo menos, não aparente. Nada há a fazer. Apenas assistir. Esperar que os ventos mudem.
Talvez seja um sinal de que está na altura de uma mudança. Esquecer a fantasia dos tempos idos e abraçar o desconhecido sem esquecer quem preferiu outro caminho.

Monday, September 24, 2007

Não sei o que faça. Se me aproxime se me afasta. Se fale ou me mantenha calada. Não sei o que faça. Se me imponha, ou resista a mais um dia de dúvidas e incoerências, entre factos reais e incertezas. Não sei o que faça. Se marque presença ou se é melhor a ausência.
Já não insisto porque se é espaço eu respeito e alinho a uns passos na retaguarda para estar por perto para o momento adequado de fazer uso do traje com que sou chamada.

Só não me quero sentir mal por me sentir inútil nem ir desvanecendo de forma subtil.

Sinto falta daquela sintonia de não ter de falar para me fazer ouvida, preciso da harmonia de cada segredo perdido da real telepatia. Partilhar o que se passa, o que me faz chorar ou apenas gargalhadas, de sentir a presença, a verdadeira essência da amizade.
Tenho saudade!
E por mais tempo que passe é como se voltasse ao início, os medos, fobias de antes levam-me para a berma do precipício e sinto-me num limbo escondendo-me atrás do riso. Tudo é permitido para não me entregar a esse motivo.
Parece-me que a vontade não é muito insistente, e já me sinto mal de ser tão persistente, será que faço bem em bater na mesma tecla? Mas está sempre ocupada, será que sou eu quem erra?
Sinto-me de pés e mãos atadas, não sei se sou mais bem vinda próxima se afastada, mas a verdade é que ninguém fala nem uma palavra partilhada. Nem quero saber nada, se for essa a opção desejada mas também não tenho de ser o escape sempre que partilho o que me vai na alma.

Tinóni

Imagine-se um café no meio do Portugal. A casa não está muito cheia. Na enorme televisão passa um filme de acção. O som não está muito alto, mas como o silêncio quase impera o som propaga-se melhor. Das colunas sai o som estridente do “tinóni” de uma ambulância que está a passar.
Na mesa do lado, uma senhora de já alguma idade que não tinha visibilidade para a televisão exclama para quem está consigo na sua mesa:

- Conheço esta música. Mas não sei de onde.

Wednesday, September 19, 2007

Primeiro há que encararmo-nos a nós próprios. Fazer uma auto-análise. É um processo moroso e doloroso nem sempre ao alcance de todos. Não que não sejam capazes, mas ter de abrir a nossa própria caixa de pandora e seguir a linha que a conduz toda para trás até ao âmago da questão tendo de desfazer os nós que se encontram pelo caminho não está na perspicácia de todos os “estômagos”.
É um regresso ao passado, limpar o pó a algo que julgávamos sarado, é dar brilho aos recalcamentos e puxar o lustro à mágoa e à dor que acreditávamos que estava curada.
Conseguir racionalizar as emoções compreender o seu sentido, perder-se em significados que têm ido e vindo sendo recauchutados.
Aceitar o que é pelo ser e não pelo lado que melhor se quer depreender, e aceitar as diferenças respeitando incongruências interpretadas pela mente a seu bem prazer.
Questionar se o que julgávamos como um período do passado não é afinal uma desculpa subjugada remediada com o que queremos acreditar ao invés de a enfrentar e lidar fazendo frente a esse tormento que se tem mantido em letargia, num coma adormecido apenas à espera de uma fresta para regressar à festa dos assuntos mal resolvidos em extrema força e coragem redobrada, de volta à carga sem aviso nem pré-ameaça, caindo em nova armadilha, tornando-me novamente o isco, a presa, na mira da minha própria mente.
Lição apreendida, teoria absorvida, mas nada disto é suficiente se não ponho mãos à obra senão sigo em frente. Há tanto ainda por explicar, interiores que não estão prontos para avançar, mas o início desde o princípio não tem sido um ponto propício, ignoro, ponho de lado canalizo para o mais próximo o melhor de mim que não dou ao meu pior, e o pior de mim que não justifico e mesmo assim partilho.
Rodeada de espelhos onde vejo o reflexo do que sou, das causas e consequências do passado que não estagnou, o complexo de sucessos do negativismo que me abraçou onde o supérfluo é por vezes o espectro só pelo simples facto de estar mais perto.

Tuesday, September 04, 2007

Geografias

-Então o fim-de-semana, como foi?

-Foi giro. Tive em Mafra, depois na praia.

-E em que praia de Mafra é que estiveste?

- ??

Monday, September 03, 2007

Romantismo

A ideia do romantismo apoiada pelo Don Juan com rosa na boca, serenatas e por aí fora está completamente ultrapassada.
A Daniela, uma assumidíssima não romântica descaiu-se:
- Para mim não há nada mais romântico do que um estádio de futebol iluminado de noite.