Primeiro há que encararmo-nos a nós próprios. Fazer uma auto-análise. É um processo moroso e doloroso nem sempre ao alcance de todos. Não que não sejam capazes, mas ter de abrir a nossa própria caixa de pandora e seguir a linha que a conduz toda para trás até ao âmago da questão tendo de desfazer os nós que se encontram pelo caminho não está na perspicácia de todos os “estômagos”.
É um regresso ao passado, limpar o pó a algo que julgávamos sarado, é dar brilho aos recalcamentos e puxar o lustro à mágoa e à dor que acreditávamos que estava curada.
Conseguir racionalizar as emoções compreender o seu sentido, perder-se em significados que têm ido e vindo sendo recauchutados.
Aceitar o que é pelo ser e não pelo lado que melhor se quer depreender, e aceitar as diferenças respeitando incongruências interpretadas pela mente a seu bem prazer.
Questionar se o que julgávamos como um período do passado não é afinal uma desculpa subjugada remediada com o que queremos acreditar ao invés de a enfrentar e lidar fazendo frente a esse tormento que se tem mantido em letargia, num coma adormecido apenas à espera de uma fresta para regressar à festa dos assuntos mal resolvidos em extrema força e coragem redobrada, de volta à carga sem aviso nem pré-ameaça, caindo em nova armadilha, tornando-me novamente o isco, a presa, na mira da minha própria mente.
Lição apreendida, teoria absorvida, mas nada disto é suficiente se não ponho mãos à obra senão sigo em frente. Há tanto ainda por explicar, interiores que não estão prontos para avançar, mas o início desde o princípio não tem sido um ponto propício, ignoro, ponho de lado canalizo para o mais próximo o melhor de mim que não dou ao meu pior, e o pior de mim que não justifico e mesmo assim partilho.
Rodeada de espelhos onde vejo o reflexo do que sou, das causas e consequências do passado que não estagnou, o complexo de sucessos do negativismo que me abraçou onde o supérfluo é por vezes o espectro só pelo simples facto de estar mais perto.

0 comments:
Post a Comment
<< Home