Carta ao Futuro

Thursday, March 29, 2007

Tombo

Todos nós temos dias em que nos ressentimos mais da nossa rotina. A Cláudia não é diferente, e quase todos os dias queixa-se da falta de movimento na sua vida.
Porém, isso ontem mudou. As suas preces em forma de lamento foram finalmente ouvidas. Ontem subiu a um escadote o salto da bota prendeu na bainha das calças e mandou um senhor tombo estatelando-se ao comprido.
Resultado: Está toda negra mas pelo menos, a sua rotina tem agora um outro movimento.

Wednesday, March 28, 2007

Convite

"Apetece-me viajar.. queres apanhar uma nuvem e partir?"

Monday, March 26, 2007

Ela

Ela não sabe como reagir. A vida pregou-lhe uma partida, mais uma, e ela foi-se mesmo abaixo.
Calou a revolta dentro dela, isolou-se no mundo só dela rodeada com as suas companhias de momentos semelhantes. O vinho ora a fazia esquecer, nem que fosse só por momentos ora acentuava-lhe a nova realidade ainda com mais afinco.
Deambulando pela rotina da vida, sem direcção nem determinação, arrastava-se apenas porque sim, porque tinha de ser, porque no fundo parar é morrer, e porque a vida não pára embora ela se mantivesse presa ao passado sem aceitar a nova realidade.
E demorou meses até se conseguir arrancar qualquer palavra em relação a esse assunto, e quando isso aconteceu ela libertou em murmúrios tremidos toda a revolta que vinha acumulando desde então. Chorou e lavou a alma de todas as mágoas que ela assistiu e que por vezes se reviu num marasmo de sentimentos contraditórios. E ficou-se por aí.
Não voltou a falar do assunto, tornou-se tabu para ela mesma. Mas ela não esqueceu. Continua magoada e sentida e a acumular tudo o que lhe vem ao pensamento cedendo a cada nova lembrança que lhe surge entregando-se sem dó nem piedade arrastando-se sem limites a esses áureos tempos.

Tuesday, March 20, 2007

O Tempo

É sempre o mesmo. Cada minuto demora sessenta segundos a passar, para cada hora são precisos sessenta minutos.
Aquilo que acontece na mutação de segundo para segundo ou de minuto para minuto é que nos pode dar a sensação de passar ou não muito devagar, ou excessivamente depressa.
Hoje é um desses dias. Incertezas com as quais não quero queimar o meu tempo. Apenas porque quando não há absolutas certezas e nos baseamos em auto interpretações daquilo que nos rodeia, apenas com aquilo que queremos acreditar e que pode muito bem não ser tão real como nos parece, prefiro alhear-me e não me permitir entrar nessas estradas tortuosas.
E ao contrário de ontem, quando o tempo ganhou asas supersónicas como se tivesse a disputar uma qualquer maratona, hoje arrasta-se. Os números que ditam as horas parecem preguiçosos. Inertes.
Tudo demora a acontecer.
Quero que este dia passe depressa. Porque sei que amanhã será bastante diferente. Mas enquanto o tempo não passa e se atrasa eu arrasto-me com ele, entre miradas para o telemóvel ou para um qualquer outro relógio.

Monday, March 19, 2007

Exorcismo

Inicio de semana, mais uma. A décima segunda do ano para ser mais precisa.
Com a manhã acordei rabugenta, implicativa, mal educada, enfim.. do avesso.

Para contrariar esta tendência horribilis, sentei-me ao computador e decidi-me pelas maravilhosas músicas ao vivo da passagem dos Pearl Jam por Lisboa no passado mês de Setembro, que embora tenha marcado presença dupla ainda não as tinha ouvido após concerto.
Que extraordinário exorcismo.
Música no seu volume máximo, as janelas a dançarem ao som da vibração e eu, ora arrepiada, extasiada, aos pulos, aos berros, aos saltos, braços no ar, espasmos momentâneo que me obrigam a saltar da cadeira a berrar, rodopiar, rir..

What a Pearl.. it’s a brilliant Jam.

Amen

Haverá??

Sou fraca com palavras, na maneira de as proferir. Por vezes crua, bruta sem medir as consequências.
As palavras determinam, na forma e modo como são empregues a nossa atitude e postura do momento. E quando não as conseguimos articular? E quando nos dizem algo digno de ser retribuído em proporção idêntica e ficamos presas num mutismo criando um silêncio de espera meio incomodativo de que algo seja dito. O que fazer?
Até que ponto esses bloqueios interferem nos relacionamentos? Haverá outra oportunidade de rectificar a paralisia mental? Ou melhor, seremos capazes de reconhecer essa outra oportunidade de retribuir e seremos mesmo capazes de o fazer? Ou deixaremos passar com a desculpa que da próxima vez é que será.

Quero férias

Preciso de férias. Os meus fins-de-semana são destinados ás relações sociais com os amigos e família. Presa a uma semana de trabalho, a uma rotina que embora seja por vezes diversa é invariavelmente igual a todos os dias. Impossibilidade de me deitar antes da meia-noite, o mesmo já não posso dizer da hora de acordar.
Os fins-de-semana são reservados aos amigos com quem não posso estar fisicamente durante a semana. Ás noitadas sem horas, aos copos, risos até o nascer do sol, ao dormir pouco ou nada porque o fim-de-semana é só dois dias e há alguns grupos de amigos a visitar.
É um ciclo. Por isso preciso de férias. De me deitar quando me apetecer e acordar quando me der na real gana sem ter um qualquer ruído estridente irritante a zumbir-me no exacto momento em que consigo fechar os olhos, a lembrar-me que mais um dia está prestes a começar.

Friday, March 16, 2007

Hey Teacher

Nem toda a gente nasce com “queda” para línguas estrangeiras e isso misturado com ingenuidade e inocência pode criar situações engraçadas.

Ele não pesca nada de inglês, é uma anedota pegada ouvi-lo a ler e sendo uma pessoa super espontânea e divertida embarca sem grande esforço em brincadeiras por vezes sem se aperceber que a brincadeira é ele.
Ela chegou-se a ele no intervalo das aulas e disse-lhe:

“ André, agora quando formos para a aula de inglês, viras-te para a professora e dizes-lhe: ‘Teacher.. I’m so high’”

E o que é que isso quer dizer? – perguntou-lhe ele

Professora, estou muito contente, foi a resposta dela enquanto ele tentava decorar a frase.
E assim foi.. Dá o toque de entrada, a professora entra na sala com o André na sua peugada que exclama bem alto com grande sentimento de alegria e júbilo:

TEACHER…. I’MM SOOO HIIIGHH

Thursday, March 15, 2007

Brincadeiras do destino

Normalmente levo tudo na desportiva, com um sorriso na eterna brincadeira. E quer me parecer que o destino tentou pregar-me uma das duas partidas, mas desta vez eu saí por cima.
Ele foi durante muito tempo como uma doença para mim. Sei que tive a minha oportunidade que ia constantemente adiando até que me apercebi que era tarde demais. O preço a pagar foi dos mais caros e dolorosos que chegaram a limitar as minhas acções. Mas insistia, a qualquer mudança de comportamento, numa situação que me parecia mais favorável, mas sempre a sair derrotada.
Fomo-nos afastando, encontrávamo-nos ao longe de tempos a tempos nos lugares mais incomuns para os dois.
E sorrias. E eu ficava sem saber como me comportar, embriagada em fragrâncias e frames de quando éramos amigos, da cumplicidade que nos envolvia, de tudo o que poderia ter sido.
Surpreendeste-me no entanto, ao longo de todos estes anos, marcando presença em momentos decisivos para mim. Apareceste de surpresa sem pedir licença permanecendo por mim no mesmo espaço como havia sido no passado.
Hoje reencontrei-o. Na mesma estrada que há um ano atrás, quando o vi pela última vez. Abrandou a marcha e com o sorriso tão dele perguntou como estava, mas não havia tempo para conversas os carros atrás já buzinavam. Seguiu a marcha dele e eu o meu caminho pensando com os meus botões por que raio já nada dele me interferia.

A resposta a que cheguei?? Acho que havia de chegar este dia.

Falha de software

Quando eu pensava que depois de ter visto nevar em Lisboa já tinha visto de tudo, eis que sou surpreendida em plena era tecnológica por uma questão que é posta no meio da roda de amigos:

- Mas afinal de contas o que é isso do copy/paste que vocês não param de falar?

Monday, March 12, 2007

La vendeta e un prato qui se manja fredo

Parece que a minha pregação contra os columbidae surtiu efeito.
Chego a casa e encontro a minha gata na cozinha com uma oferenda para mim. Um pombo com o que se pode chamar, esventrado, com o pescoço partido imóvel deitado no chão. Olhos abertos e uma pena no bico.
A minha predadora foi fazer a vingança em meu nome.
O terraço é só penas e até à cozinha tenho um rastro.

Quero ver agora, quem será o próximo a atirar-me com o que quer que seja.. AHAHAHAHAHAHAHAH

Ataque pombalino

Em menos de seis meses fui depósito para dejectos pombais por três vezes. Qual é a probabilidade de isso acontecer eu não sei, mas que é grande.. no meu caso não.
Inocentemente ou sonhadoramente (isto porque nunca ninguém gosta de pensar que é merda) pensei.. “ah hoje é o meu dia de sorte”, “vou jogar euromilhões, é desta”. Erro.

Em nenhuma das situações fui premiada com quer que seja, e ainda gastei dinheiro. A sorte caiu-me sempre ao lado.. já a merda..

Brincadeira de Carnaval

Acho piada ás piadas das gentes que já ultrapassaram a de idade de ouro.
Algures em Alfama, mesmo cá em baixo, meia perdida à procura das chamadas Portas do Sol. Decido perguntar a uma senhora que estava a aquecer-se ao sol. Ela olha para mim com aquele sorriso terno de avozinha e diz toda contente rindo:

- Ah menina, isso é lá para cima.. Vai ter de subir isso tudo.

What’s the question?

Sempre defendi que devemos a nós próprios uma segunda oportunidade. Se a damos ou não aos outros, isso depende das premissas, é com cada um. Agora a nós próprios, acho que sim, que devemos dar uma segunda oportunidade.
Falar é muito bonito, e a teoria, essa, toda nós a sabemos. No entanto quando me toca a mim, fico um pouco reticente, de pé atrás.
Não sei se é realmente isto que quero e por vezes tenho a certeza que é. Se vale realmente a pena e por aí fora. Os factos vão-se sucedendo e as dúvidas vão aumentando, as certezas diminuindo ou vice-versa, conforme a maré. Mas tudo não passa da minha cabeça. De uma manobra defensiva que questiona cada palavra. Uma suposta jogada por antecipação, numa sentinela em constante alerta instaurada nos momentos que são criados para mim.
Já me questionei se será receio ou medo, se não estará aí o núcleo de todo o turbilhão. Se não terei de o assumir e o enfrentar. Ás vezes acho que sim, outras acredito que não.

Thursday, March 08, 2007

Dia Internacional da Mulher II

Para além da flor e do café, o chefe ainda me deu ordem de soltura mais cedo.

O meu fim-de-semana começa ainda mais cedo.

Alguém deve estar para cair do altar.

Dia Internacional da Mulher

Se chegas ao escritório e tens em cima da tua mesa uma rosa oferecida pelo chefe e o gajo do departamento comercial se oferece para hoje te tirar o café, só tens uma solução:

FUGIR!!

Wednesday, March 07, 2007

Pathos song

Num momento de silêncio no local de trabalho, os meus ouvidos absorveram a música que nunca mais ouvi. Nunca achei piada à música, mas ela cantava-a muitas vezes, antes do “mundo desabar”.
E meses mais tarde, quando a música me veio à cabeça lembro-me de ter pensado se na altura em que ela a trauteava alegremente, se seria um presságio para o pathos que haveria de vir.
Hoje, passado um ano, fiquei apreensiva quando a captei. Tentei absorver-me na letra da canção, procurar um significado, um sentido.
É estranho quando ouvimos uma música cuja única vez que a ouvimos nos recorda momentos menos agradáveis.

We have reached the middle of the week

Ao contrário do povo benfiquista, alguns entre a elite sportinguista só trabalham até quinta.

É o meu caso. Oh yeah!!

Inútil

Gostava de ter o dom da palavra. De saber quais as palavras mágicas que lhe permitiriam soltar-se desses pensamentos.
Não sei o que lhe vai lá dentro. Isto passa, disse-me ela. Mas não passa.
Vai lá ficar, guardado, embrulhado, escondido até ao próximo tropeção. E não sei o que lhe dizer.
Ela não fala. Guarda e remói sem parar como que a obriga-la a acreditar em qualquer coisa que lhe ande a matutar. E absorve aninhando-se no seu mundo onde agora consome mentalmente uma realidade paralela com os seus novos predicados, inventados, adulterados.
E sinto-me uma inútil. Porque sinto-a e não sou capaz de fazer nada. Não me aproximo, talvez precise de espaço, quero dar-lhe um abraço mas afasto-me.

Tuesday, March 06, 2007

Objectivo concluido

Mais um objectivo com um vistozinho à frente.
Ah pois é!! Finalmente consegui adquirir aquele livro que há tantos anos desejava na versão original.
Agora é meu e só meu. E é tão louca a capa.
E vou ter de encostar os dois que estou a ler de momento para me dissolver por completo neste aglomerado de folhas que agora possuo.

Mas estou tããããõ feliiiiiz!!

Monday, March 05, 2007

(só) ás vezes

Ás vezes acho que poderia dar mais de mim. Que poderia deixar uma nesga da concha aberta e deixar entrar a claridade.
Ás vezes penso que talvez devesse dar uma segunda oportunidade a mim mesma e deixar-me ir pela corrente sem receios.

Mas só ás vezes..

Bater papo

No final de um concerto, onde só se vê caras conhecidas, ele aproxima-se ao vê-la falar com uma conhecida dele.
-Vocês conhecem-se?
- Yah. Até já tivemos a abater o papo.